O QUE É SER DEMOCRATA-CRISTÃO DAS ANTIGAS NOS AFANOSOS DIAS DE HOJE?

Depois de alguns meses de ausência prossigo na linha do que havia discutido no inicio da pandemia, nos idos de abril, deste fatídico ano. 

Peço que busque um tempinho para ler os OUTROS textos abaixo, relacionados:




Proponho discutir o que é ser, no vasto contexto do quase tudo do ser das antigas nos dias bicudos de hoje, nos quais vivemos, ou subsistimos, mais especificamente, democrata-cristão das antigas no mundo politico em que permeiam as ideias da extrema-direita delirante, paranoica e conspiratória infiltradas na igreja evangélica brasileira, transmutada e aviltada à condição de mera base eleitoral do maior pilantra político que já se viu em nossa história, em todos os tempos! 

Sou democrata-cristão das antigas como foram muitos aos quais me espelho: Plinio de Arruda Sampaio, dentre muitos outros, em cuja plêiade se destacara a figura de um dos fundadores do PSDB, André Franco Montoro. Não sou de esquerda nem de direita, no meu caso, estou num centro largo e generoso, amplamente compreensivo, mais de centro-direita do que centro-esquerda, conservador de instituições tradicionalmente democráticas indutoras de mudanças demoradas, constantes e duradouras do espectro republicano, democrático e liberal. Nada de "conservador de costumes", o que considero uma construção aberrativa intelectual, populista e perigosamente vigarista exploradora da mais rematada ignorância e incultura politica! Discorrerei sobre essa aberração tão logo! 

Sinto-me à vontade no PSDB como sentiria em qualquer partido legalmente instituído nessa amada Pátria, de tantos "patriotas", traidores e impostores, capazes até de bater continência à bandeira de potência estrangeira, em cuja chefia de governo esteja provisoriamente um comparsa de notoriedade neo-nazifascista. Poderia formar, caso se me aceitassem, uma corrente conservadora, até no PSol passando pelo MDB e até ao DEM, numa perspectiva democrática.

Democrata-cristã das antigas é a Premier alemã Ângela Merkel que em novembro de 2016, enquanto o mundo ainda estava se recuperando do choque com a vitória de Donald Trump, fez uma pungente declaração pública dirigida ao estropício então recém-eleito: "A “cooperação estreita” dos dois países poderia continuar, afirmava com mal disfarçado desdém, mas somente se ambos permanecessem comprometidos com a “democracia, liberdade e respeito pela lei e pela dignidade do homem”. Para o Professor Udi Greenberg, "tais declarações, juntamente com a adesão geral de Merkel ao decoro e moderação retórica, fizeram dela um ícone para muitos liberais, que passaram a ver a líder alemã como a principal defensora da democracia contra a onda de autoritarismo 'islamofóbico'". O que fez coro a Benjamin Rhodes, vice conselheiro de segurança nacional de Barack Obama: “O líder do mundo livre”, e a editoria de New York Times: “uma pessoa que está entre os mais notáveis ​​líderes ocidentais de nosso tempo”,

O democrata-cristão das antigas não deixa de exibir suas "credenciais liberais", como bem o fez Merkel. Diria o cientista político Carlo Invernizzi Accetti, em seu novo livro, What Is Christian Democracy?, o foco de sua carta não foi a “democracia”, mas a “dignidade do homem”. Isso é o que melhor revela a visão de mundo anti-populista da estadista. 

De acordo com Invernizzi Accetti, a escolha de palavras de Merkel reflete sua dívida não somente para com o liberalismo, mas para com o movimento político e intelectual chamado Democracia Cristã. Nascido na década de 1930, em resposta ao fascismo e ao comunismo, afirmava que a “dignidade” humana - a qualidade única ordenada por Deus - era melhor realizada por meio de uma mistura de política pluralista e ensinamentos sociais cristãos. Em seguida, chegou ao poder em toda a Europa Ocidental e deu início à notável reconstrução do continente após a Segunda Guerra Mundial. 

Aspas para Invernizzi Accetti:


E, de fato, a Democracia Cristã tem muito a recomendar em relação ao populismo. Mais importante ainda, os líderes do movimento estão comprometidos com a política democrática e veem seus oponentes políticos como rivais legítimos. Merkel na verdade formou coligações três vezes com os socialdemocratas, tradicionalmente os principais concorrentes de seu partido, muito distantes de Trump e seus seguidores se gabam de que só eles representam o povo “verdadeiro”. Os democratas-cristãos também acreditam no estado de direito e evitam a linguagem violenta ou conspiratória dos populistas. Quando o predecessor de Merkel como líder dos democratas-cristãos alemães, Helmut Kohl, admitiu corrupção, seus colegas não protestaram contra um suposto conluio de “estado profundo” que teve de ser esmagado, mas sumariamente o forçou a sair da vida política.

Interessante observar as falas do xenófobo mais proeminente da Europa, Viktor Orbán da Hungria, de que sua missão seria estabelecer a "democracia cristã à moda antiga". As dele vão na linha das do pilantra que ocupa por ora o Planalto dizendo-se que é um "cristão conservador" enquanto não passa de um reacionário fascista "à moda antiga". Qual o que, a democracia cristã às antigas não tem nada de Trump, Orban, Bolsonaro et caterva, sim com Merkel.

Na verdade, o que confunde muito é esse joio da infiltração fascista subjacente entre pensadores e organizações cristãs ao trigo que também campeia ali, e principalmente por ele, pode o trigal jogar o papel majestoso na construção dum novo futuro democrático. No entanto, como lembra Invernizzi Accetti, a propalada democracia cristã, tal como se rotula algo impostor na e pela escumalha, pode não ser "solução", mas parte do problema e dai a pergunta:
... e se a escumalha populista, com sua islamofobia e outras idiossincrasias, "não forem oponentes dos democratas-cristãos, mas seus herdeiros indiretos?" 

Pesam suspeitas por que muito antes do estropício Trump ganhar destaque, Merkel se valeu das fontes da democracia cristã não apenas para celebrar a liberdade e a dignidade, mas também para ridicularizar imigrantes e minorias religiosas. Em 2010, ela declarou o fracasso do famoso projeto de sociedade multicultural (o que os alemães chamam de multikulti) e precisava ser substituído por uma "cultura mais homogênea", enquanto em 2016 ela seguiu a declaração feita por Trump pedindo uma proibição legal dos véus muçulmanos, para os aplausos da linha dura de direita. Os populistas, de fato, gostam de destacar essas semelhanças ideológicas. Mas o que o estudo histórico de Invernizzi Accetti mostra, sem querer, é que provavelmente a solução viria de tradições políticas diferentes e lutar contra o populismo exigiria uma abordagem radicalmente diferente. 

Penso, mesmo assim, ser a hora e a vez de considerarmos a total tempestividade e oportunidade de ascender a voz da democracia cristã alçada do PSol ao DEM; do PSDB ao PT; do PV e ao PSB à Rede, a dos verdadeiros democratas, para estrondar os ouvidos e e escancarar a visão dos lunáticos, e espancar democraticamente e constitucionalmente o fascismo bolsonarista!

A outra "opção" seria a conversão dos psicopatas Orban e Bolsonaro à democracia pluralista, mas como sói dizer por ai "loucos jamais mudam de ideia!" Mas se se verificou uma mudança de pensamento de Merkel, taí a prevalência dos bolsominions arrependidos a nos mostrar, existe o radioso caminho da esperança! 

Por ora, reitero o pedido, busque um tempinho para ler os OUTROS textos abaixo, relacionados:



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