A QUEM EMBARCA - O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. O SERIADO QUE TRATA DA COAÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA NAS IGREJAS EVANGÉLICAS.PARTE I

A quem embarca

Antes de embarcar. Aviso: este é mais um “textão no facebook”, longo, por isso mesmo que, sendo uma única peça, escrita de um só folego, dividi-lo-ei em partes para veiculá-lo em posts mais curtos. Insisto, por favor, que me acompanhem, mas, para as pessoas não afeitas a textões, que estiverem interessadas nesse assunto de momento, antes de pensarem em desistir de lê-lo todo, pode neste post ler apenas a introdução e o sumário.

A quem embarca, aproveito essa oportunidade de me dirigir, especialmente, a dois irmãos, cujas identidades foram preservadas, que interagiram comigo quando esbocei uma singela proposta todo-abrangente, porém despretensiosa. Lembrando que não passam de ideias adventícias passiveis de ser corrigidas antes de coligidas. Assumo total responsabilidade por elas, pela autoria e erros veiculados, mas não pela disseminação de texto fechado, o que não se embute nesse compromisso o de permanecer no erro. Portanto, serão bem vindas as críticas que visarem a depuração de eventuais erros.

O útil e divertido site “Dicionário Informal” quando consultado os sinônimos do verbete “responsabilidade”[1] apresenta um resultado estupendo: centenas de sinônimos espalhados por 107 acepções. Ou seja, um na acepção da palavra em si, responsabilidade, e 106 significados em outras acepções. Daí você pode se perguntar, com tanta responsabilidade solta por aí, como não se tomar para si pelo menos uma para ter como sua?

Por outro lado, assumir eterna responsabilidade pelo simples compromisso com o erro, ou com alguma coisa que recebe sistematicamente contestação, ainda que lhe pareça certa, ou se refira a uma causa, ou motivação, nobre, parece uma responsabilidade muito pesada e supérflua. Uma carga que não se deveria buscar para carregá-la “até à morte”, posto que dentre alguns sinônimos de responsabilidade, em sua própria acepção, induz o manter para si carga, acusação, arrecova, ataque, carregação, carregamento, carrego, embaraço, fardel, fardo, ônus... Portanto, o meu regozijo pelos acertos será o mesmo pela correção dos erros.

Sobretudo, há os que chamam outros para essa responsabilidade. Uma responsabilidade ao grupo, à igreja. Carregam para si “fardos pesados e difíceis de suportar“ e atam outros de mesma intensidade, e “os põem aos ombros dos homens” e há os que não os carregam, na intimidade de suas vidas, uma vez que “nem com seu dedo querem movê-los” – Mateus 23:4.

Em todo o Brasil tem-se constatado que a Igreja evangélica tem sido lugar de proselitismos e disputas políticas, instrumentalizadas por coação. O pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa do Rio de Janeiro, e outros, não tem mais conseguido disfarçar o desconforto com essa situação. Razão por que precisamos que a liderança das igrejas seja chamada à responsabilidade pela preservação da comunhão e promoção de diálogos que passam por se colocarem como mediadores, e não de partes em disputa. Essa chamada é para a disciplina aos casos omissivos e comissivos de quebra flagrante de unidade com atentado à institucionalidade. Um chamado para o descarregamento!

Em todos os meios, a sociedade civil, como um todo, tem vivido dias de descompromisso e hostilidade para com a institucionalidade, resultado, em muito, decorrente da ação do Presidente Bolsonaro nesse sentido. Em conversa com o seu guru Olavo de Carvalho, durante sua visita aos Estados Unidos, em março de 2019, ele teria sido muito claro ao afirmar que ‘é preciso destruir, para construir em cima”.

Um discurso que, por mais incrível que pareça, tem eco até mesmo entre aqueles brasileiros que discordam da maior parte do que Bolsonaro e seus filhos falam ou escrevem nas redes sociais. Mas concordam com a tese de que o presidente tem feito a sua parte, como chefe do Poder Executivo, mas os outros poderes não o “ajudam”. Dias desses, disse que “não consigo fazer nada”.

Recorrendo à retórica tosca, porém de fácil entendimento, ainda no início do seu governo, prevendo as dificuldades advindas, e tendo em vista o seu despreparo e o equívoco de algumas  de muitas de suas propostas, até  inexequíveis, e a péssima qualidade na apresentação delas, quando as tem, antecipou tudo o que vemos: cederia ao toma lá, dá cá proposto pela “velha política” para não acabar na cadeia como Lula e Michel Temer. Bolsonaro traçou essa estratégia.

eja o resultado da votação da Reforma da Previdência. A proposta foi aprovada, ele sagrou-se, em parte, como vitorioso. Mas, a proposta aperfeiçoada em muito, teve o Congresso responsabilizado pelos pontos discutíveis. Mas, o melhor seria para ele se fosse derrubada, pois a responsabilidade ficaria toda nas costas do Congresso.

Paralelamente a isso, memes e mais memes não pararam de circular em grupos de whatsapp pregando o fim do Supremo Tribunal Federal, justamente pela turma da web que tem identidade com Bolsonaro. Em algumas mensagens, o fim da corrupção é vinculado ao fechamento do STF.

Um tempo excepcional chegou a todos nós e a Bolsonaro. Se já estava difícil nos dias normais, imagina agora em plena pandemia que vai durar até mais de um ano. A vacina é a solução, custe o que custar, dure o que durar a vacinação, mas é indispensável. E Bolsonaro prega exatamente o contrário quando implicou com a questão do mais fácil entendimento que é a obrigatoriedade da vacina, algo que foi instituído em 1974, pelo Governo Militar.

As responsabilidades pelas sucessivas negações da realidade, gravidade, extensão, duração, solução da grande epidemia, a maior em 100 anos, e pelo enveredar por labirintos de fantasiosas especulações quanto a origem do vírus, na China, incorporando delirantes teorias da conspiração, propostas por seu guru, podem ser colocadas até ao demônio, o príncipe das trevas, mas não podem ser, essas responsabilidades, lançadas ao mandatário. 

Em vão tem sido, como desde o início da sua gestão, as preces dirigidas em favor de Sua Excelência, conforme exortação da Palavra, 1 Timóteo 2:1-2, “antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade”.

O Presidente não exerce sua autoridade nos termos das leis que nos governam. Deixamos de orar por ele para oramos pelo Brasil porque seus interesses, de sua família e do seu entorno, não são os da Nação. Ele tirou de nós o motivo de cantarmos o hino 376 · Intercessão pela Pátria, na estrofe que diz:

Ao presidente, ó Deus,
Inspira desde os céus
O teu temor!
Que possa bem cumprir
O seu mandato e ouvir,
De todo povo aqui,
Real louvor.

E porque? Por que em tempo algum ele assumiu qualquer mandato, e do mandato decorre as responsabilidades! Não se assume mandato, que é de todos os eleitores, de esquerda, direita e centro, sem poder ser responsabilizado por erros!

Não existe unanimidade de pensamento, numa democracia a política sempre foi a condutora das negociações para conciliar ou dirimir as diferenças de opinião na sociedade, mediante representantes eleitos pelo voto direto para o Executivo e Legislativo.

Ciente, mais do que ninguém, da crise de credibilidade dos políticos, Bolsonaro não vai mudar a estratégia que o elegeu, muito menos decepcionar aqueles que abraçaram sua candidatura desde o início e, assim como muitos petistas em relação à Lula, poderiam sair às ruas em sua defesa independente do que ele faça ou diga.

E o que tem a ver a igreja com esse imbróglio? A mesma estratégia de intimidação e coação aos opositores e aos indiferentes mantidos lá fora, os bolsonaristas mantem dentro da Igreja. Como tem essa ação política, tem a reação. O que é normal, mesmo nesses tempos tão anormais.

Eis a razão desse primeiro esboço, e na sequência do seriado um outro elaborado com mais devagar:

“A IPB, assim como outras denominações evangélicas, deveria se posicionar como igreja que não se alinha politicamente com o que hoje se tem como direita, esquerda ou centro e garantir a liberdade de consciência e de expressão dos crentes, em redes sociais e em outros ambientes e exortarem a que para além das diferenças tivessem comunhão uns com os outros e valorizassem o diálogo compreensivo e esclarecedor!

A igreja não pode dividir seus membros como de direita ou de esquerda e nem excluir uns ou outros!”

Fiz a pergunta provocadora: “estou errado”? E para os irmãos consultados, sim, estou errado em minha proposta. Eis os argumentos os quais um deles expôs, nessa versão editada:

“Devido a omissão dos bons ou por causa das críticas de quem pensa diferente que o nosso querido Brasil tem sido saqueado. As ideologias de gêneros têm avançado. E muitas outras coisas que com certeza você também deve abominar.
Somos protestantes. Protestando contra tudo que ofende a glória de Deus e não é só dentro da igreja não. Deve ser na política, no futebol, na rua, na igreja.
Somos sal.”

Longe de tolher a liberdade de expressão, a proposta de acolhimento mútuo visa justamente não cercear a liberdade de protesto dos crentes contra aquilo o que somos contra. O que ofende a Deus, ofende-me, ofende-nos. A Igreja tem o direito e o dever de abominar o que Deus abomina. Coisas Deus abomina, não pessoas, sem ignorar o alto mistério da divina predestinação. Vamos tratar disso, daqui para sempre, sem remontar aos réprobos. Sem se perder nos labirintos da especulação. Nesse sentido, coisas não são pessoas e pessoas não são coisas! O objetivo é de forma ampla garantir a liberdade de consciência e de expressão de todos crentes.


Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança. - Provérbios 11:14

Com medidas de prudência farás a guerra; na multidão de conselheiros está a vitória. - Provérbios 24:6.

Por aqui vamos. Orientemos o pensamento segundo os textos bíblicos, Mateus 11:26-30; Mateus 13:47-50 e Lucas 14:15-24:

Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.

Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”

(...)

O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora.

Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.

(...)

Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.

Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos.

À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.]E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir.

Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa. Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

Deixo sublinhadas três expressões que se interligam para a nossa reflexão, 1) vinde a mim, todos; 2) os ruins são deitados fora e 3) obriga a todos a entrar. 

A série de postagem seguirá tratando de

II. O chamamento exclusivo e a promessa da inclusão, o que nos sugere o texto de Mateus 11:26-30,
III. Do jugo suave dos incluídos e a Ignominiosa coação. Conciliando esse texto com os de Mateus 13:47-50 e Lucas 14:15-24;
IV. Coação como falta disciplinar, mais no contexto de Igreja Presbiteriana do Brasil.
Num alcance mais amplo:
V. O Calvinismo defraudado!
VI. A saga dos títulos perdidos do Atlético-MG e a conspiração cruzeirense
VII. Apocalipcismos, milenarismos e os “judeus” alguém para pagar o pato
VIII. O marxismo cultural.
IX. Bolsonaro, o santo libertador do Brasil do marxismo cultural.
X. O dom da profetada e o da palavra da pseudociência.
XI. A doutrina da predestinação, liberdade de consciência e a inviolável reserva do coração.
XII. A salvação, saúde e sanidade espiritual e mental.

XIII.O fascismo insano.
XIV. A ameaça de canhões do Forte Orange.
XV. Em respeito à liberdade de consciência individual.

XVI.A bendita pauta de costumes, matéria a ser discutida, que gera incidentes de coação.

Por essa razão  proponho agora o que segue e a discutir: porque não?  ,  

“A IPB, e outras denominações evangélicas, 1) deveriam se posicionar como igreja que presentemente não se alinha nem com a direita, nem com a esquerda, nem com o centro; 2) garantir, nos termos de seus símbolos de fé e demais padrões de doutrina bíblicos, a plena liberdade de consciência e de expressão dos crentes, em redes sociais e outros ambientes; 4) exortarem, pelos seus concílios, no sentido de que para além das diferenças tenham comunhão uns com os outros e valorizem o diálogo compreensivo, respeitoso e esclarecedor;  5) quaisquer faltas, inclusive, na forma de coação, ou outro abuso de autoridade e liberdade, cometidos por membros e oficiais, presbíteros regentes e pastores, devem ser tratadas com discrição na forma do código de disciplina da Igreja e 6) lembrar ao oficiais dos seus votos de ordenação de manter a unidade, a paz, o amor e a pureza na Igreja.

Concordam? Não sem antes analisar ponto por ponto e as discordâncias devem ser fundamentadas. Então! Sim, irmãos e irmãs, sois sal, não sois sais! Sais! Sais! Somos suáveis, e não “soáveis”! Nosso Senhor conta com vocês para o “descanso de vossas almas”!

Amém!

Boa viagem!

ANAMIM  LOPES DA SILVA


[1] https://www.dicionarioinformal.com.br/sinonimos/responsabilidade/1/

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