O FASCISMO INSANO: O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. PARTE XIII.
O fascismo insano.
Vamos fazer um teste? Vejam essa
foto:
O que veem aí? Apenas um patriota, Richard
Barnett, de 60 anos, da
cidade de Gravette, Arkansas, sentado na cadeira da globalista, comunista,
pedófila, sodomita e assassina em serie, presidente da câmara de representantes,
em pleno Capitólio, recanto sagrado da democracia nos EUA, Nancy Pelosi?
Alguns
de vocês verão algum cumprimento de uma profecia apocalíptica, a “nossa
redenção está próxima”? Com esse sinal? Algo
positivo que pode se reproduzir no Brasil? De minha parte, por meus
totais responsabilidade, culpa e risco, se houverem, é o retrato assombroso do
que vemos hoje.
Vejo
pura insanidade! E vejo o insano a serviço de ideologia política.
Essa
ideologia é o fascismo (Ur Fascismo)[1]!
Posso estar parcialmente, ou
totalmente, equivocado ao sabor das minhas idiossincrasias, mas muitos hão de
concordar, o doentio fascismo, a meu ver, assumiu a cadeira de autoridade em
nossas instituições. Posso ser culpado
e disciplinado na igreja por algum pecado, pelo que posso me arrepender um
dia, não hoje. Mas, fato é que quando vi o Presidente assentado pela primeira
vez na cadeira de presidente eu vi o espectro de um senhor de idade, da minha
idade, aparentemente mais velho, com um boné para esconder a calva, barba
branca cerrada de forma muito disfarçada fazendo arminha. Era o espectro do
fascismo! Mas não podia identificar o avatar, hoje posso, Richard Barnett, de
Gravette, Arkansas.
Meu
temor é o de que o fascismo já esteja aboletado nas cadeiras de quase todos os concílios
da igreja e, simbolicamente, não fisicamente, e não por essa ou por aquela
pessoa, mas pela figura sinistra de Barnett! Vejo-o assentado em cadeiras
profanadas pela consubstanciação do invisível,
com as condutas evidentemente fascistas. O fascismo está aí politicamente e espiritualmente
presente nas substâncias.
A “nebulosa
fascista”, menos pelas pessoas na pessoa de quem quer que seja, de um irmão, em
comunhão plena, em figura, por enquanto,
porém, não em espécie de gente, do fantasma de Barnett. Refiro-me ao espírito
de coação e força incompatível
com o “vinde
a mim todos”... para a liberdade, para o descanso, para a suave e a suavização
de um ambiente acolhedor para todos os filhos de Deus! Compatível com o fascismo.
Cabe-nos aos reformados democratas exorcizar isso daí!
Fato
é que, a meu ver, à moda “dell’imbecillità”,
o fascismo se assentou também de forma ascendente, de baixo para cima, na cadeira de cabeceira do pai de família em nossas
mesas de jantar; no lugar de honra cabível aos mais velhos nas reuniões de família;
e daí saiu, dos grupos de WhatsApp, das pesquisas em “surface web” e “deep/dark
web”, da mídia
alternativa à cadeira de presidente de conselhos, presbitérios e sínodos.
Não me venham com justificativas! Não impute a mim o papel de acusador de meus irmãos!
Não são os irmãos, é a ideologia que representam! E morreria se não afirmasse,
e posso até morrer por tê-lo feito!
Dei o
exemplo, dentre os milhares, do caso visível de “defraudação
do calvinismo” pelo site de venda de mídias neo-puritano www.puritandownloads.com. Verdade
seja feita, o fascismo tem defraudado todas as demais ideologias (teologias práticas)
religiosas e se impondo acima delas, fazendo-as perder os princípios elementos característicos
e deturpando seus princípios básicos
para se aparentar com o fascismo.
“Porque,
se enlouquecemos, é para Deus; se conservamos o juízo, é para vós. Pois o amor de Cristo nos constrange, porque
julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por
todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por
eles morreu e ressuscitou”.
“Mas
todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e
nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões;
e nos encarregou da palavra da reconciliação.
2 Coríntios 5:13-15 e 18 e 19.

Observe o texto de Eco e os links
existentes, provisoriamente, por mim, os quais serão atualizáveis:
“A
despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de
características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de “Ur-Fascismo”, ou
“fascismo eterno”. Tais características não podem ser reunidas em um sistema;
muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou
fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se
forme uma nebulosa fascista.
1. A
primeira característica de um Ur-Fascismo é o culto da tradição. O
tradicionalismo é mais velho que o fascismo. Não somente foi típico do
pensamento contra reformista católico depois da Revolução Francesa, mas nasceu
no final da idade helenística como uma reação ao racionalismo grego clássico.
Na
bacia do Mediterrâneo, povos de religiões diversas (todas aceitas com
indulgência pelo Panteon romano) começaram a sonhar com uma revelação recebida
na aurora da história humana. Essa revelação permaneceu longo tempo escondida
sob o véu de línguas então esquecidas. Havia sido confiada aos hieróglifos
egípcios, às runas dos celtas, aos textos sacros, ainda desconhecidos, das
religiões asiáticas.
Essa
nova cultura tinha que ser sincretista. “Sincretismo” não é somente, como
indicam os dicionários, a combinação de formas diversas de crenças ou práticas.
Uma combinação assim deve tolerar contradições. Todas as mensagens originais
contêm um germe de sabedoria e, quando parecem dizer coisas diferentes ou
incompatíveis, é apenas porque todas aludem, alegoricamente, a alguma verdade
primitiva.
Como
consequência, não pode existir avanço do saber. A
verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a
interpretar sua obscura mensagem. É suficiente observar o ideário de
qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores
tradicionalistas. A gnose
nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincretistas ocultos. A
mais importante fonte teórica da nova direita italiana Julius Evola, misturava
o Graal com os Protocolos dos Sábios de Sião, a alquimia com o Sacro Império
Romano. O próprio fato de que, para demonstrar sua abertura mental, a direita
italiana tenha recentemente ampliado seu ideário juntando De Maistre, Guenon e
Gramsci é uma prova evidente de sincretismo.
Se
remexerem nas prateleiras que nas livrarias americanas trazem a indicação “New
Age”, irão encontrar até mesmo Santo Agostinho e, que eu saiba, ele não era
fascista. Mas o próprio fato de juntar Santo Agostinho e Stonehenge, isto é um
sintoma de Ur-Fascismo.
2. O
tradicionalismo implica a recusa da modernidade. Tanto os fascistas como os
nazistas adoravam a tecnologia, enquanto os tradicionalistas em geral recusam a
tecnologia como negação dos valores espirituais tradicionais. Contudo, embora o
nazismo tivesse orgulho de seus sucessos industriais, seu elogio da modernidade
era apenas o aspecto superficial de uma ideologia baseada no “sangue” e na
“terra” (Blut und Boden). A recusa do mundo moderno era camuflada como condenação
do modo de vida capitalista, mas referia-se principalmente à rejeição do
espírito de 1789 (ou 1776, obviamente). O iluminismo, a idade da Razão eram
vistos como o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Ur-Fascismo pode
ser definido como “irracionalismo”.
3. O
irracionalismo depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si,
portanto, deve ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. Pensar é uma
forma de castração. Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é
identificada com atitudes críticas. Da declaração atribuída a Goebbels (“Quando
ouço falar em cultura, pego logo a pistola”) ao uso frequente de expressões
como “Porcos intelectuais”, “Cabeças ocas”, “Esnobes radicais”, “As
universidades são um ninho de comunistas”, a suspeita em relação ao mundo
intelectual sempre foi um sintoma de Ur-Fascismo. Os intelectuais fascistas
oficiais estavam empenhados principalmente em acusar a cultura moderna e a
inteligência liberal de abandono dos valores tradicionais.
4.
Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar críticas. O espírito
crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na
cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento
de avanço dos conhecimentos. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição.
5. O
desacordo é, além disso, um sinal de diversidade. O Ur-Fascismo cresce e busca
o consenso desfrutando e exacerbando o natural medo da diferença. O primeiro
apelo de um movimento fascista ou que está se tornando fascista é contra
os intrusos[2]. O
Ur-Fascismo é, portanto, racista por definição.
6. O
Ur-Fascismo provém da frustração
individual ou social. O que explica por que uma das características dos
fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas,
desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas
pela pressão dos grupos sociais subalternos. Em nosso tempo, em que os velhos
“proletários” estão se transformando em pequena burguesia (e o lumpesinato se
auto exclui da cena política), o fascismo encontrará nessa nova maioria seu
auditório.
7.
Para os que se veem privados de qualquer identidade social, o Ur-Fascismo diz
que seu único privilégio é o mais comum de todos: ter nascido em um mesmo país.
Esta é a origem do “nacionalismo”. Além disso, os únicos que podem fornecer uma
identidade às nações são os inimigos. Assim, na raiz da psicologia Ur-Fascista
está a obsessão
do complô, possivelmente internacional. Os seguidores têm que se sentir
sitiados. O modo mais fácil de fazer emergir um complô é fazer apelo à
xenofobia. Mas o complô tem que vir também do interior: os judeus são, em
geral, o melhor objetivo porque oferecem a vantagem de estar, ao mesmo tempo,
dentro e fora. Na América, o último
exemplo de obsessão pelo complô foi o livro The New World Order, de Pat
Robertson.
8. Os
adeptos devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do
inimigo. Quando eu era criança ensinavam-me que os ingleses eram o “povo das
cinco refeições”: comiam mais frequentemente que os italianos, pobres mas sóbrios.
Os judeus
são ricos e ajudam-se uns aos outros graças a uma rede secreta de mútua
assistência. Os adeptos devem, contudo, estar convencidos de que podem
derrotar o inimigo. Assim, graças a um contínuo deslocamento de registro
retórico, os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais. Os
fascismos estão condenados a perder suas guerras, pois são constitutivamente
incapazes de avaliar com objetividade a força do inimigo.
9.
Para o Ur-Fascismo não
há luta pela vida, mas antes “vida para a luta”. Logo, o pacifismo é
conluio com o inimigo; o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente.
Contudo, isso traz consigo um complexo
de Armagedon: a partir do momento em que os inimigos podem e devem ser
derrotados, tem que haver uma batalha final e, em seguida, o movimento assumirá
o controle do mundo. Uma solução final semelhante implica uma sucessiva
era de paz, uma idade de Ouro que contestaria o princípio da guerra
permanente. Nenhum líder fascista conseguiu resolver essa contradição.
10. O
elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto
fundamentalmente aristocrática. No curso da história, todos os elitismos
aristocráticos e militaristas implicaram o desprezo pelos fracos. O Ur-Fascismo
não pode deixar de pregar um “elitismo popular”. Todos os cidadãos pertencem ao
melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos, todo
cidadão pode (ou deve) tornar-se membro do partido. Mas patrícios não podem
existir sem plebeus. O líder, que sabem muito em que seu poder não foi obtido
por delegação, mas conquistado pela força, sabe também que sua força baseia-se
na debilidade das massas, tão fracas que têm
necessidade e merecem um “dominador”. No momento em que o grupo é
organizado hierarquicamente (segundo um modelo militar), qualquer líder
subordinado despreza seus subalternos e cada um deles despreza, por sua vez, os
seus subordinados. Tudo isso reforça o sentido de elitismo de massa.
11.
Nesta perspectiva, cada um é educado para tornar-se um herói. Em qualquer
mitologia, o “herói” é um ser excepcional, mas na ideologia Ur-Fascista o
heroísmo é a norma. Este culto do heroísmo é estreitamente ligado ao culto da
morte: não é por acaso que o mote dos falangistas era: “Viva la muerte!” À
gente normal diz-se que a morte é desagradável, mas é preciso enfrentá-la com
dignidade; aos crentes, diz-se que é um modo doloroso de atingir a felicidade
sobrenatural. O herói Ur-Fascista, ao contrário, aspira à morte, anunciada como
a melhor recompensa para uma vida heroica. O herói Ur-Fascista espera
impacientemente pela morte. E sua impaciência, é preciso ressaltar, consegue na
maior parte das vezes levar os outros à morte.
12.
Como tanto a guerra permanente como o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o
Ur-Fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais. Esta é a
origem do machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação
intolerante de hábitos sexuais não-conformistas, da castidade à
homossexualidade). Como o sexo também é um jogo difícil de jogar, o herói
Ur-Fascista joga com as armas, que são seu Ersatz fálico: seus jogos de guerra
são devidos a uma inveja pênis permanente.
13. O
Ur-Fascismo baseia-se em um “populismo qualitativo”. Em uma democracia, os
cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto de cidadãos só é dotado
de impacto político do ponto de vista quantitativo (as decisões da maioria são
acatadas). Para o Ur-Fascismo os indivíduos enquanto indivíduos não têm
direitos e “o povo” é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que
exprime “a vontade comum”. Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter
uma vontade comum, o
líder apresenta-se como seu intérprete. Tendo perdido seu poder de delegar,
os cidadãos não agem, são chamados apenas pars pro toto, para assumir o papel
de povo. O povo é, assim, apenas uma ficção teatral. Para ter um bom exemplo de
populismo qualitativo, não precisamos mais da Piazza Venezia ou do estádio de
Nuremberg.
Em
nosso futuro desenha-se um populismo qualitativo TV ou internet, no qual a
resposta emocional de um grupo selecionado de cidadãos pode ser apresentada e
aceita como a “voz do povo”. Em virtude de seu populismo qualitativo, o
Ur-Fascismo deve opor-se aos “pútridos” governos parlamentares. Uma das
primeiras frases pronunciadas por Mussolini no Parlamento italiano foi: “Eu
poderia ter transformado esta assembleia surda e cinza em um acampamento para
meus regimentos”. De fato, ele logo encontrou alojamento melhor para seus
regimentos e pouco depois liquidou o Parlamento. Cada vez que um político põe
em dúvida a legitimidade
do Parlamento por não representar mais a “voz do povo”, pode-se sentir o
cheiro de Ur-Fascismo.
14. O
Ur-Fascismo fala a “novilíngua”. A “novilíngua” foi inventada por Orwell em
1984, como língua oficial do Ingsoc, o Socialismo Inglês, mas certos elementos
de Ur-Fascismo são comuns a diversas formas de ditadura. Todos os textos
escolares nazistas ou fascistas baseavam-se em um léxico pobre e em uma sintaxe
elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e
crítico. Devemos, porém estar prontos a identificar outras formas de
novilíngua, mesmo quando tomam a forma inocente de um talk-show popular.
Outras postagens:
Parte I. A quem embarca
Parte II. O chamamento exclusivo e a promessa da inclusão
Parte III. Do jugo suave dos incluídos e a Ignominiosa coação.
Parte IV. Coação como falta disciplinar
Parte V. O Calvinismo defraudado!
Parte VI. A saga dos títulos perdidos do Atlético-MG e a conspiração cruzeirense
Parte VII. Apocalipcismos, milenarismos e os “judeus”: alguém para pagar o pato.
Parte VIII. O marxismo cultural.
Parte IX. Bolsonaro como um santo libertador do Brasil do marxismo cultural.
Parte X. O dom da profetada e o da palavra da pseudociência.
Parte XI. A doutrina da predestinação, liberdade de consciência e a inviolávelreserva do coração.
Parte XII. A salvação, saúde e sanidade espiritual e mental.
Parte XIII. O fascismo insano.
Parte XIV. A ameaça de canhões do Forte Orange.
Parte XV. Em respeito à liberdade deconsciência individual.
Parte XVI. A bendita pauta decostumes, matéria a ser discutida, que gera incidentes de coação
[1]
“Mein Kampf é o manifesto
completo de um programa político. O nazismo tinha uma teoria do racismo e do
arianismo, uma noção precisa de entartete Kunst, a “arte degenerada”, uma
filosofia da vontade de potência e da Übermensch. O nazismo era decididamente anticristão
e neopagão, da mesma maneira que o Diamat (versão oficial do marxismo
soviético) de Stalin era claramente materialista e ateu. Se como totalitarismo
entende-se um regime que subordina qualquer ato individual ao Estado e sua
ideologia, então nazismo e estalinismo eram regimes totalitários. (...) Depois
de indicar os arquétipos possíveis do Ur-Fascismo, permitam-me concluir. Na
manhã de 27 de julho de 1943 foi-me dito que, segundo informações lidas na
rádio, o fascismo havia caído e Mussolini tinha sido feito prisioneiro. Minha
mãe mandou-me comprar o jornal. Fui ao jornaleiro mais próximo e vi que os
jornais estavam lá, mas os nomes eram diferentes. Além disso, depois de uma
breve olhada nos títulos, percebi que cada jornal dizia coisas diferentes.
Comprei um, ao acaso, e li uma mensagem impressa na primeira página, assinada
por cinco ou seis partidos políticos como Democracia Cristã, Partido Comunista,
Partido Socialista, Partido de Ação, Partido Liberal. Até aquele momento pensei
que só existisse um partido em todas as cidades e que na Itália só existisse,
portanto, o Partido Nacional Fascista.
Eu estava descobrindo que, no meu país, podiam existir
diversos partidos ao mesmo tempo. E não só isso: como eu era um garoto esperto,
logo me dei conta de que era impossível que tantos partidos tivessem aparecido
de um dia para o outro. Entendi assim que eles já existiam como organizações
clandestinas.
A mensagem celebrava o fim da ditadura e o retorno à liberdade:
liberdade de palavra, de imprensa, de associação política. Estas palavras,
“liberdade”, “ditadura” — Deus meu —, era a primeira vez em toda a minha vida
que eu as lia. Em virtude dessas novas palavras renasci como homem livre
ocidental.
Devemos ficar atentos para que o sentido dessas palavras não
seja esquecido de novo. O Ur-Fascismo ainda está ao nosso redor, às vezes em
trajes civis. Seria muito confortável para nós se alguém surgisse na boca de
cena do mundo para dizer: “Quero reabrir Auschwitz, quero que os camisas-negras
desfilem outra vez pelas praças italianas!”. Ai de mim, a vida não é fácil
assim! O Ur-Fascismo pode voltar sob as vestes mais inocentes. Nosso dever é
desmascará-lo e apontar o indicador para cada uma de suas novas formas — a cada
dia, em cada lugar do mundo. Cito ainda as palavras de Roosevelt: “Ouso dizer
que, se a democracia americana parasse de progredir como uma força viva,
buscando dia e noite melhorar, por meios pacíficos, as condições de nossos
cidadãos, a força do fascismo cresceria em nosso país” (4 de novembro de 1938).
Liberdade, liberação são uma tarefa que não acaba nunca. Que seja este o nosso
mote: “Não esqueçam”. – Umberto
Eco
https://ruycamara.com.br/comunismo/o-fascismo-eterno-por-umberto-eco/
[2]
“os infiltrados no nosso meio” - https://coalizaopeloevangelho.org/article/a-infiltracao-dos-cristaos-progressistas-na-igreja-crista/
- Não nego a “infiltração” do pensamento marxista, no praxismo marxista, que sugere
a lembrança praxismo fascista, que movimenta no sentido inverso da práxis marxista que parte exatamente reflexão. “O irracionalismo
depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si, portanto, deve
ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. Pensar é uma forma de castração.
Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes
críticas”. Não está passando da hora de discutirmos a infiltração do fascismo (Ur-fascismo).



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