BOLSONARO COMO SANTO LIBERTADOR DO BRASIL DO MARXISMO CULTURAL.: O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. PARTE IX.

Bolsonaro como santo libertador do Brasil do marxismo cultural.

É fato que desde o ano 2019, assim que o pensamento-mestre do movimento radical de extrema-direita foi exposto, e submetido à crítica, padeceu de acentuado declínio. A resistência diante dos exageros indica que essa teo-ideologia, com suas confusas ciências, profecias e teorias de conspiração, visivelmente falhas, podem estar perdendo seu fascínio[1].


 Mas quando menos se esperava, aparece o Q-Anon[2], a teoria  da conspiração do momento, que se fez presente  entre a multidão que invadiu e depredou o Capitólio[3], sede do Congresso dos EUA, na quarta-feira (6/1), em que 5 pessoas foram mortas.  O presidente americano, Donald Trump, considerado um herói pelo movimento, chegou perto de endossá-la e descreveu os ativistas do Q-Anon[4] como "pessoas que amam nosso país"...

Em suma, Q-Anon[5] é antes de tudo uma teoria da conspiração, cujo seguidores, apenas (?) acreditam que uma conspiração satânica e pedófila controla secretamente o governo dos Estados Unidos e, mais, controla todo o país. Essa rede maligna seria formada por figuras do Partido Democrata, como Hillary Clinton e Barack Obama, e grandes empresários.

Espera-se que a derrota de Trump deve acentuar essa rota descendente, mas poderá haver mais radicalização da infiltração neo-nazi-fascista no meio evangélico. É disso que se trata.



Nesse contexto, tendo a teoria da conspiração do marxismo cultural medrado nas igrejas evangélicas, católicas, centros espiritas etc., impulsionada pela internet, a exemplo do calvinismo defraudado, a partir de ideologia com elementos antidemocráticos fascistas e nazistas, em combinação com os apocalipcismos, milenarismos (com os “judeus” pagando o  pato, daí suas origens passando pelo nazismo), os grupos de WhatsApp criados em 2018, especificamente para a Campanha eleitoral, ainda no primeiro turno, aliciando, principalmente pessoas sem instrução, foram mantidos para a reeleição de Bolsonaro em 2022.

A continuidade desses grupos em redes sociais, configurando um rebanho, para uns o gado, prometia contornar qualquer adversidade, antevisto pela Sra. Cindy Jacobs, admitida como profetiza. “Vai ser um pouco difícil por algum tempo”, declarou. “Deus vai levantar novos líderes. Deus está ouvindo as orações do povo no Brasil e eles vão ver a economia curada…” Voltaremos a ela e a um profeta em seguida.   

Em seu discurso de posse, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que planejava libertar o Brasil do “socialismo, dos valores invertidos, do estado inchado e do politicamente correto”. Durante sua campanha presidencial, Bolsonaro informou a seus partidários que o marxismo cultural e seus “derivados como o Gramsciismo se juntaram aos oligarcas corruptos para minar os valores da família nacional e brasileira”[6]. Ele coloca o marxismo cultural como o antagonista em sua narrativa do suposto declínio cultural e se retrata como o salvador da identidade e da sociedade brasileiras tradicionais.

Desta forma, a retórica de Bolsonaro se encaixa na definição de conspiração de Chip Berlet e Matthew N. Lyon como uma "forma narrativa de bode expiatório que enquadra o inimigo como parte de uma vasta trama insidiosa contra o bem comum, enquanto valoriza o bode expiatório como um herói para soar o alarme".  

 Essa questão do “bode expiatório” funciona bem junto às camadas mais simples da igreja, porque apela para os valores religiosos e conservadores. Responde de forma enviesada, o que precisa ser debatido nos concílios da igreja, à questão se “um cristão pode ser de esquerda? Ou deve ser de direita? [7],  apelando para, dentre outros, Eclesiastes 10:2: O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda”. Aqui, logico, está se falando de direita e esquerda passando muito longe do atual significado dos termos (mais dentro do campo político). Na Bíblia, a direita, ou o lado direito, era considerado o mais hábil, isso porque sabe-se que a maioria da população é destra e não canhota.


Chega ser triste e revoltante ver líderes da igreja que assistem cenas de seus liderados fazendo pregação política sobre o texto, defendendo a direita política, e por negligência pecaminosa e interesse mesquinho político ficam calados, deixam o povo usar esse texto à vontade. Com certeza, escondem Malaquias 2: 16 que parece de forma mais clara dizer que por um claro motivo indireto e  direto, Deus odeia o Bolsonaro, especificamente, “o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas”, podendo ser a cultura  da violência do fascismo.


Para quem, no entanto, o tem como “bode expiatório”, não importa os seus defeitos pois o que nos limpa é o sangue do cordeiro perfeito. Entretanto, tal pensamento é injusto, não democrático, pois não se pode usar com o Bolsonaro a medida cheia, recalcada, que os bolsonaristas usam com os seus adversários. Por exemplo, acusam os outros de “abortismo”, sendo ele um adepto aberto do “divorcismo”.  

No entanto, Bolsonaro não foi o primeiro bode expiatório brasileiro de direita a soar o alarme do marxismo cultural.

Em 2002, o polemista da mídia, e boca suja, Ovalo de Carvalho publicou um artigo intitulado “Do marxismo cultural” no O Globo, no qual descreve o “marxismo cultural” como “a influência predominante nas universidades, mídia, show business e editoras ocidentais”. Carvalho proclama que a Escola de Frankfurt usou seus “dogmas macabros” para classificar a cultura ocidental como uma “doença” e espalhar uma “atmosfera de suspeita, confusão e ódio”. A polêmica alarmante de Carvalho coloca os progressistas como agentes de uma trama secreta para destruir a cultura, a língua e a fé religiosa brasileiras.

Ainda naquele ano, o Partido dos Trabalhadores (PT), liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (conhecido popularmente como “Lula”), ganhou as eleições gerais. Carvalho considerava as políticas de bem-estar social de Lula uma expansão indesculpável do poder do Estado e alertou que o PT transformaria o Brasil em um estado socialista totalitário. Posteriormente, a teoria da conspiração do marxismo cultural tornou-se uma arma para demonizar Lula e o PT, na sequência foi usada para enquadrar o PSDB, como um corresponde ao Partido Democrata dos EUA.

Apesar das impressionantes vitórias eleitorais do PT entre 2002 e 2014, sua popularidade começou a diminuir a partir de 2010. Vários escândalos de corrupção, como a Operação Lava Jato, levaram à desilusão geral. Bolsonaro, Carvalho e outras figuras da direita brasileira aproveitaram-se desses sentimentos generalizados de antipetismo (sentimento anti-PT) para perpetuar a teoria da conspiração do marxismo cultural.

Em um artigo de 2019 para a revista literária paleoconservadora The New Criterion, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo declara que a vitória eleitoral de Bolsonaro representa a queda do regime de marxismo cultural de Lula. Segundo Araújo, o PT impôs uma agenda “globalista” que levou à “promoção da ideologia de gênero”, “à humilhação dos cristãos” e “ao deslocamento dos pais pelo governo como provedor de 'valores' aos filhos”. Araújo interpreta os esforços legislativos e judiciais do PT para acabar com a discriminação contra LGBTQ como um ataque deliberado aos tradicionais “valores familiares” cristãos.

A educação é um tema central da teoria da conspiração do marxismo cultural. Os teóricos afirmam que a Escola de Frankfurt infectou os campi universitários americanos com o vírus do politicamente correto, a administração de Bolsonaro afirma que as universidades brasileiras estão infestadas de “marxismo cultural” e “ideologia de gênero”. Enquanto nos EUA culpam Herbert Marcuse, Bolsonaro incrimina o falecido educador radical brasileiro Paulo Freire.

Segundo a direita radical brasileira, Freire injetou ideologia marxista no sistema de ensino público durante sua passagem como secretário municipal de educação de São Paulo entre 1989 e 1992. Consequentemente, Bolsonaro insinua que as reformas educacionais modestas de Lula, como financiamento para indígenas e afro-carentes -Os universitários brasileiros fazem parte de uma trama secreta para converter jovens estudantes ao marxismo.

Na administração de Bolsonaro, a conspiração do marxismo cultural motiva a política. No início de 2019, o então Ministro da Educação, Abraham Weintraub, ameaçou retirar o financiamento dos departamentos de sociologia e filosofia das universidades. Vários dias depois, ele anunciou cortes de 30% no financiamento de universidades federais. As políticas da Weintraub eram parte de uma estratégia para intimidar professores e alunos até a aquiescência e conformidade. A propósito, Weintraub endossa a tática de caça às bruxas de gravar as palestras de professores “marxistas culturais”.

O povo brasileiro se opôs a esses cortes orçamentários injustificáveis. Em resposta aos pronunciamentos de Weintraub, cerca de 1,5 milhão de pessoas compareceram aos protestos em todo o país. A resistência generalizada ao regime de Bolsonaro demonstra que muitos brasileiros não acreditam que as políticas de bem-estar social e as ideias progressistas sejam parte de uma conspiração marxista maligna.

Agora para salvar o povo brasileiro dessa “ameaça” ele é muito bom, mas está medíocre para tratar os assuntos de Governo; ele e a plêiade de ministros são despreparados e os delírios parece ser critério de escolha dos seu Ministério!

[4] Q-Anon tem tudo a ver com o marxismo cultural.

[7] https://www.respostas.com.br/esquerda-ou-direita-politica-na-biblia/

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