BOLSONARO COMO SANTO LIBERTADOR DO BRASIL DO MARXISMO CULTURAL.: O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. PARTE IX.
Bolsonaro como santo libertador do Brasil do marxismo cultural.
É fato que desde o ano 2019, assim que o pensamento-mestre do movimento
radical de extrema-direita foi exposto, e submetido à crítica, padeceu de
acentuado declínio. A resistência diante dos exageros indica que essa
teo-ideologia, com suas confusas ciências, profecias e teorias de conspiração, visivelmente
falhas, podem estar perdendo seu fascínio[1].
Em suma, Q-Anon[5] é
antes de tudo uma teoria da conspiração, cujo seguidores, apenas (?) acreditam
que uma conspiração satânica e pedófila controla secretamente o governo dos
Estados Unidos e, mais, controla todo o país. Essa rede maligna seria formada
por figuras do Partido Democrata, como Hillary Clinton e Barack Obama, e
grandes empresários.
Espera-se que a derrota de Trump deve acentuar essa rota descendente, mas
poderá haver mais radicalização da infiltração neo-nazi-fascista no meio
evangélico. É disso que se trata.
Nesse contexto, tendo a teoria da conspiração do marxismo cultural medrado nas igrejas evangélicas, católicas, centros espiritas etc., impulsionada pela internet, a exemplo do calvinismo defraudado, a partir de ideologia com elementos antidemocráticos fascistas e nazistas, em combinação com os apocalipcismos, milenarismos (com os “judeus” pagando o pato, daí suas origens passando pelo nazismo), os grupos de WhatsApp criados em 2018, especificamente para a Campanha eleitoral, ainda no primeiro turno, aliciando, principalmente pessoas sem instrução, foram mantidos para a reeleição de Bolsonaro em 2022.
A continuidade desses grupos em redes sociais, configurando
um rebanho, para uns o gado, prometia contornar qualquer adversidade, antevisto
pela Sra. Cindy Jacobs, admitida como profetiza. “Vai ser um pouco difícil por
algum tempo”, declarou. “Deus vai levantar novos líderes. Deus está ouvindo as
orações do povo no Brasil e eles vão ver a economia curada…” Voltaremos a ela e
a um profeta em seguida.
Em seu discurso de posse, o presidente Jair Bolsonaro
anunciou que planejava libertar o Brasil do “socialismo, dos valores
invertidos, do estado inchado e do politicamente correto”. Durante sua campanha
presidencial, Bolsonaro informou a seus partidários que o marxismo cultural e
seus “derivados como o Gramsciismo se juntaram aos oligarcas corruptos para
minar os valores da família nacional e brasileira”[6].
Ele coloca o marxismo cultural como o antagonista em sua narrativa do suposto
declínio cultural e se retrata como o salvador da identidade e da sociedade
brasileiras tradicionais.
Desta forma, a retórica de Bolsonaro se encaixa na definição
de conspiração de Chip Berlet e Matthew N. Lyon como uma "forma narrativa
de bode expiatório que enquadra o inimigo como parte de uma vasta trama
insidiosa contra o bem comum, enquanto valoriza o bode expiatório como um herói
para soar o alarme".
Essa questão do “bode expiatório” funciona bem junto às camadas mais simples da igreja, porque apela para os valores religiosos e conservadores. Responde de forma enviesada, o que precisa ser debatido nos concílios da igreja, à questão se “um cristão pode ser de esquerda? Ou deve ser de direita? “[7], apelando para, dentre outros, Eclesiastes 10:2: O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda”. Aqui, logico, está se falando de direita e esquerda passando muito longe do atual significado dos termos (mais dentro do campo político). Na Bíblia, a direita, ou o lado direito, era considerado o mais hábil, isso porque sabe-se que a maioria da população é destra e não canhota.
Chega ser triste e revoltante ver líderes da igreja que
assistem cenas de seus liderados fazendo pregação política sobre o texto, defendendo
a direita política, e por negligência pecaminosa e interesse mesquinho político
ficam calados, deixam o povo usar esse texto à vontade. Com certeza, escondem
Malaquias 2: 16 que parece de forma mais clara dizer que por um claro motivo
indireto e direto, Deus odeia o
Bolsonaro, especificamente, “o homem que se cobre de violência como se cobre de
roupas”, podendo ser a cultura da
violência do fascismo.
Para quem, no entanto, o tem como “bode expiatório”, não importa os seus defeitos pois o que nos limpa é o sangue do cordeiro perfeito. Entretanto, tal pensamento é injusto, não democrático, pois não se pode usar com o Bolsonaro a medida cheia, recalcada, que os bolsonaristas usam com os seus adversários. Por exemplo, acusam os outros de “abortismo”, sendo ele um adepto aberto do “divorcismo”.
No entanto, Bolsonaro não foi o primeiro bode expiatório
brasileiro de direita a soar o alarme do marxismo cultural.

Em 2002, o polemista da mídia, e boca suja, Ovalo de Carvalho publicou um artigo intitulado “Do marxismo cultural” no O Globo, no qual descreve o “marxismo cultural” como “a influência predominante nas universidades, mídia, show business e editoras ocidentais”. Carvalho proclama que a Escola de Frankfurt usou seus “dogmas macabros” para classificar a cultura ocidental como uma “doença” e espalhar uma “atmosfera de suspeita, confusão e ódio”. A polêmica alarmante de Carvalho coloca os progressistas como agentes de uma trama secreta para destruir a cultura, a língua e a fé religiosa brasileiras.
Ainda naquele ano, o Partido dos Trabalhadores (PT),
liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (conhecido popularmente como “Lula”),
ganhou as eleições gerais. Carvalho considerava as políticas de bem-estar
social de Lula uma expansão indesculpável do poder do Estado e alertou que o PT
transformaria o Brasil em um estado socialista totalitário. Posteriormente, a
teoria da conspiração do marxismo cultural tornou-se uma arma para demonizar
Lula e o PT, na sequência foi usada para enquadrar o PSDB, como um corresponde
ao Partido Democrata dos EUA.
Apesar das impressionantes vitórias eleitorais do PT entre
2002 e 2014, sua popularidade começou a diminuir a partir de 2010. Vários
escândalos de corrupção, como a Operação Lava Jato, levaram à desilusão geral.
Bolsonaro, Carvalho e outras figuras da direita brasileira aproveitaram-se
desses sentimentos generalizados de antipetismo (sentimento anti-PT) para
perpetuar a teoria da conspiração do marxismo cultural.
Em um artigo de 2019 para a revista literária
paleoconservadora The New Criterion, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo
declara que a vitória eleitoral de Bolsonaro representa a queda do regime de
marxismo cultural de Lula. Segundo Araújo, o PT impôs uma agenda “globalista”
que levou à “promoção da ideologia de gênero”, “à humilhação dos cristãos” e
“ao deslocamento dos pais pelo governo como provedor de 'valores' aos filhos”.
Araújo interpreta os esforços legislativos e judiciais do PT para acabar com a
discriminação contra LGBTQ como um ataque deliberado aos tradicionais “valores
familiares” cristãos.
A educação é um tema central da teoria da conspiração do
marxismo cultural. Os teóricos afirmam que a Escola de Frankfurt infectou os
campi universitários americanos com o vírus do politicamente correto, a
administração de Bolsonaro afirma que as universidades brasileiras estão
infestadas de “marxismo cultural” e “ideologia de gênero”. Enquanto nos EUA culpam
Herbert Marcuse, Bolsonaro incrimina o falecido educador radical brasileiro Paulo
Freire.
Segundo a direita radical brasileira, Freire injetou
ideologia marxista no sistema de ensino público durante sua passagem como
secretário municipal de educação de São Paulo entre 1989 e 1992.
Consequentemente, Bolsonaro insinua que as reformas educacionais modestas de
Lula, como financiamento para indígenas e afro-carentes -Os universitários
brasileiros fazem parte de uma trama secreta para converter jovens estudantes
ao marxismo.
Na administração de Bolsonaro, a conspiração do marxismo
cultural motiva a política. No início de 2019, o então Ministro da Educação,
Abraham Weintraub, ameaçou retirar o financiamento dos departamentos de
sociologia e filosofia das universidades. Vários dias depois, ele anunciou
cortes de 30% no financiamento de universidades federais. As políticas da
Weintraub eram parte de uma estratégia para intimidar professores e alunos até
a aquiescência e conformidade. A propósito, Weintraub endossa a tática de caça
às bruxas de gravar as palestras de professores “marxistas culturais”.
O povo brasileiro se opôs a esses cortes orçamentários
injustificáveis. Em resposta aos pronunciamentos de Weintraub, cerca de 1,5
milhão de pessoas compareceram aos protestos em todo o país. A resistência
generalizada ao regime de Bolsonaro demonstra que muitos brasileiros não
acreditam que as políticas de bem-estar social e as ideias progressistas sejam
parte de uma conspiração marxista maligna.
Agora para salvar o povo brasileiro dessa “ameaça” ele é muito bom, mas está medíocre para tratar os assuntos de Governo; ele e a plêiade de ministros são despreparados e os delírios parece ser critério de escolha dos seu Ministério!
Outras postagens:
Parte I. A quem embarca
Parte II. O chamamento exclusivo e a promessa da inclusão
Parte III. Do jugo suave dos incluídos e a Ignominiosa coação.
Parte IV. Coação como falta disciplinar
Parte V. O Calvinismo defraudado!
Parte VI. A saga dos títulos perdidos do Atlético-MG e a conspiração cruzeirense
Parte VII. Apocalipcismos, milenarismos e os “judeus”: alguém para pagar o pato.
Parte VIII. O marxismo cultural.
Parte IX. Bolsonaro como um santo libertador do Brasil do marxismo cultural.
Parte X. O dom da profetada e o da palavra da pseudociência.
Parte XI. A doutrina da predestinação, liberdade de consciência e a inviolávelreserva do coração.
Parte XII. A salvação, saúde e sanidade espiritual e mental.
Parte XIII. O fascismo insano.
Parte XIV. A ameaça de canhões do Forte Orange.
Parte XV. Em respeito à liberdade deconsciência individual.
Parte XVI. A bendita pauta decostumes, matéria a ser discutida, que gera incidentes de coação
[1] https://www.radicalrightanalysis.com/2019/10/18/the-cultural-marxism-conspiracy-thrives-in-bolsonaros-brazil/
[2] https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-17/qanon-a-nova-teoria-da-conspiracao-que-se-prepara-para-entrar-no-congresso-dos-eua.html
[4]
Q-Anon tem tudo a ver com o marxismo cultural.
[5] https://g1.globo.com/mundo/eleicoes-nos-eua/2020/noticia/2020/08/26/o-que-e-qanon-o-movimento-conspiracionista-a-favor-de-trump-que-e-visto-pelo-fbi-como-ameaca.ghtml
[7] https://www.respostas.com.br/esquerda-ou-direita-politica-na-biblia/






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