COAÇÃO COMO FALTA DISCIPLINAR: O CALVINISMO DEFRAUDADO, CONSCIÊNCIAS VILIPENDIADAS. - PARTE IV

Coação como falta disciplinar

Coação é uma falta ao dever de manter a paz, a unidade, a pureza, a ordem e o desenvolvimento da Igreja. A igreja tem o direito (privilégio[1]) e o dever de aplicar a disciplina para corrigir tudo o que considera faltoso. !



[2]Art. 4º - Falta é tudo que, na doutrina e prática dos membros e concílios da Igreja, não esteja de conformidade com os ensinos da Sagrada Escritura, ou transgrida e prejudique a paz, a unidade, a pureza, a ordem e a boa administra
ção da comunidade cristã. 
Parágrafo Único - Nenhum tribunal eclesiástico poderá considerar como falta, ou admitir como matéria de acusação aquilo que não possa ser provado como tal pela Escritura, segundo a interpretação dos Símbolos da Igreja (Cons., Art.1º).

Nas perguntas de 134 a 136 do Catecismo Maior da IBB (Westminster) temos a abordagem do sexto mandamento que é: “não matarás” - Êxodo 20.13. Dentre os deveres exigidos no sexto mandamento está o do “empenho cuidadoso e todos os esforços legítimos para a preservação (...) do sossego mental, alegria de espírito (...); por pensamentos caridosos, amor, compaixão, mansidão, benignidade, bondade, comportamento e palavras pacíficos, brandos e corteses, a longanimidade e prontidão para se reconciliar, suportando pacientemente e perdoando as injúrias, dando bem por mal, confortando e socorrendo os aflitos, e protegendo e defendendo o inocente”. Dentre os pecados proibidos no sexto mandamento, temos a “a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras, a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém”. E o símbolo de fé anexa os textos bíblicos de referência[3].




A coação é, sem exagero, ao que me parece, o porco
[4] assado no altar da consagração! Ainda mais quando se coage gente que não tem lugar para escapar! Pois, da igreja institucional há muitas válvulas de escape, mas da casa de Deus, edifício de Deus, igreja orgânica e invisível não há, para mim e para muitos, qualquer possibilidade de fuga!
O irmão pensa que “a ideologia de gênero têm avançado. O comunismo avança” por aí, e até no meio de quem “persistimos em pregar a realidade do poder transformador do evangelho de Cristo”[5]. Porque que o fundamental é quem está lá fora deve ser coagido por lei ou decreto “a crer na realidade poder transformador do evangelho de Cristo”, e quem aqui dentro, este, ou estes , são “comunistas” e não crê na "realidade poder transformador do evangelho de Cristo”? De onde parte esse raciocínio?
Da forma concreta e individual à abstrata e geral. Em que termos devemos abominar o que Deus abomina? 
Discorrer sobre “ideologia” e “questões ou problemas de gênero” é um caso à parte cujo conteúdo de mérito e forma precisa ser discutido. E aí o meu irmão pensa ser falta pertencer a um partido o qual, segundo se acha, nem pode ou deve, mas, compromete-me com “ideologia de gênero”. De novo, donde parte esse raciocínio?
Adentra-se a uma questão disciplinar. Eu sou filiado ao PSDB – Partido da Social Democracia do Brasil, um partido legal segundo a legislação eleitoral do Brasil. Fato material de prova para constituir um processo?
Conheço conservos em Cristo que são, pelos menos, simpatizantes, do PT e do Psol, e há autoridades da igreja constrangendo tais irmãos. Vejo gente simples, semianalfabeta, tenros cordeirinhos de Jesus, repetindo lição de classe de escola dominical que diz “não considere crente o comunista, o socialista, o petista, o psolista”! Essas pessoas estão dizendo que na casa de Deus se sentem constrangidos com a presença desses irmãos? Com as suas membresias? Dizem o que dizem e assumem postura e atitudes de repressão, coação, e vão suavemente passear com as crianças e chupar um sorvete de nata na esquina.
E tudo isso se fazer para aliciar apoiadores ao Presidente Bolsonaro!

Outras postagens:

Parte I. A quem embarca

Parte II. O chamamento exclusivo e a promessa da inclusão

Parte III. Do jugo suave dos incluídos e a Ignominiosa coação.

Parte IV. Coação como falta disciplinar

Parte V. O Calvinismo defraudado!

Parte VI. A saga dos títulos perdidos do Atlético-MG e a conspiração cruzeirense

Parte VII. Apocalipcismos, milenarismos  e os “judeus”: alguém para pagar o pato.

Parte VIII. O marxismo cultural.

Parte IX. Bolsonaro como um santo libertador do Brasil do marxismo cultural.

Parte X. O dom da profetada e o da palavra da pseudociência.

Parte XI. A doutrina da predestinação, liberdade de consciência e a inviolávelreserva do coração.

Parte XII. A salvação, saúde e sanidade espiritual e mental.

Parte XIII. O fascismo insano.

Parte XIV. A ameaça de canhões do Forte Orange.

Parte XV. Em respeito à liberdade deconsciência individual.

Parte XVI. A bendita pauta decostumes, matéria a ser discutida, que gera incidentes de coação

 


[1] A igreja tem esse privilégio, dentre outros, de disciplinar a quem o Estado pune como criminoso, segundo a Lei dos homens, guardada de forma genérica a conformidade com a Lei de Deus, desde que configurada a culpa por prova material existente e processo civil, penal ou administrativo após o trânsito de sentença por autoridade adequada; notadamente, a quem o Estado não atribui crime, mas constitui em pecado conforme a Lei de Deus e a Igreja pode disciplinar também o membro por faltas pessoais, gerais ou públicas, fora da esfera pública, decorrentes do julgamento final de qualquer pessoa que detém autoridade legal, no caso dos deslizes praticados fora da esfera pública, em sociedades civis, empresas etc. Nestes casos, será passível de disciplina em qualquer membro em “situação ilícita” a que tiver incurso. Na forma, sob todos os deveres e garantias, do CD/IPB.  

[2] Código de Disciplina – CD/IPB.

[3] Catecismo Maior da IBB (Westminster)

134. Qual é o sexto mandamento?

O sexto mandamento é: “não matarás.” - Êx 20.13.

135. Quais são os deveres exigidos no sexto mandamento? Os deveres exigidos no sexto mandamento são todo empenho cuidadoso e todos os esforços legítimos para a preservação de nossa vida e a de outros, resistindo a todos os pensamentos e propósitos, subjugando todas as paixões e evitando todas as ocasiões, tentações e práticas que tendem a tirar injustamente a vida de alguém por meio de justa defesa dela contra a violência; por paciência em suportar a mão de Deus; sossego mental, alegria de espírito e uso sóbrio da comida, bebida, remédios, sono, trabalho e recreios; por pensamentos caridosos, amor, compaixão, mansidão, benignidade, bondade, comportamento e palavras pacíficos, brandos e corteses, a longanimidade e prontidão para se reconciliar, suportando pacientemente e perdoando as injúrias, dando bem por mal, confortando e socorrendo os aflitos, e protegendo e defendendo o inocente. Ef 5.29; Sl 82.4; Mt 5.22; Jr 26.15, 16; Ef 4.26; Pv 22.24, 25; 1Sm 25.32, 33, Pv 1.10, 11, 15; 1Rs 21.9, 10, 19; Gn 37.21, 22; 1Sm 24.12; 1Sm 26.9-11; Pv 24.11, 12; 1Sm 14.45; Lc 21.19; Hb 12.5; Sl 37.8, 11; Pv 17.22; Pv 23.20; Pv 23.29, 30; Mt 9.12; Sl 127.2; 2Ts 3.10, 12; Mc 6.31; 1Tm 4.8; 1Co 13.4, 5, 1Sm 19.4, 5; Rm 13.10; Zc 7.9; Cl 3.12; Rm 12.18; 1Pe 2.20; Rm 12.20, 21; Mt 5.24; 1Ts 5.14; Mt 25.35, 36; Pv 31.8, 9; Is 58.7.

136. Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento? Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras, a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém. At 16.28; Gn 9.6; Nm 35.31, 33; Hb 11.32-34; Êx 22.2; Mt 25.42, 43; Mt 5.22; 1Jo 3.15; Pv 14.30; Rm 12.19; Tg 4.1; Mt 6.31, 34; Lc 21.34; Êx 20.9, 10; 1Pe 4.3, 4; Pv 15.1; Pv 12.18; Is 3.15; Nm 35.16; Pv 28.17. https://www.ipb.org.br/uploads/catecismo-maior.pdf

[4] “Quando, porém, virdes a abominação da desolação estar onde não deve (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; o que se achar no eirado, não desça nem entre para tirar as coisas de sua casa, e o que estiver no campo, não volte para tomar a sua capa” Mc 13:14, expressão encontrada em Mateus 24:15. Refere-se a “abominação da desolação” sem dúvida ao "ídolo abominável" de Daniel 9:27, Daniel 11:31 e Daniel 12:11. Em II Reis 23:13 e I Reis 11:5 pode-se encontrar uma estreita ligação entre os conceitos de idolatria e abominação. 

Essa profecia teve seu cumprimento, quem sabe, na transformação, feita por Antíoco IV Epifânio, do Templo de Jerusalém em um tempo pagão. Há também alusão lendária a um cumprimento alternativo da profecia, quando, antes de destruir o templo de Jerusalém, o general romano Tito teria sacrificado um porco no templo judeu em 70 d.C.! 

“Nos círculos de influência direta do Livro de Daniel, que são os mesmos círculos que deram origem à literatura apocalíptica a expressão foi empregada para designar uma importante concepção escatológica. Pois é somente em um sentido escatológico que a expressão pode ser adequadamente explicada nas passagens do Novo Testamento mencionadas acima” – Extraído da Wikipedia. Ammannati, Renato (2010). Rivelazione e Storia. Ermeneutica dell'Apocalisse. [S.l.]: Transeuropa. 

De acordo com a maioria dos comentaristas modernos, essas passagens são um apocalipse judaico, que foi reinterpretada pelo cristianismo, como profecia sobre o fim dos tempos, quando o Anticristo (abominação da desolação), será entronizado como um governante no Templo de Deus (cf. II Tessalonicenses 2:1-12)[4]. Por outro lado, W. C. Allen[4] sustenta que os evangelistas se refeririam à pretensão de Calígula de construir uma estátua sua no Templo de Jerusalém. Citado por Bass, Ralph E., Jr. (2004) Back to the Future: A Study in the Book of Revelation, Greenville, South Carolina: Living Hope Press,

[5] CE-1956-096 – Quanto ao Documento Intitulado “Avaliação”, enviado pela CBM.

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