DEMOCRACIA CRISTÃ COM DEMOCRACIA E COM A DECANTADA UNIDADE NACIONAL.

Construindo a partir dos escombros. 

Temos que ir em busca da unidade nacional, que envolve a unidade possível e desejável em cada uma de nossas instituições democráticas e sociais, em toda sua diversidade, pluralidade. 
Como uma nação, que somos, com todo o ímpeto do inevitável “pluralismo politico” que é objetivo fundamental da nossa Carta Magna, nao nos cabe outra alternativa. Elencado no art. 1º, inciso V, da Constituição Federal de 1988, esse objetivo deriva do reconhecimento da diversidade, nessa tão almejada unidade nacional. 
O conceito diversidade é utilizado de modos diversos, numa ampla gama de questões em vários contextos. Em politica[1] é o reconhecimento de que vários partidos possuem igual direito ao exercício do poder político segundo procedimentos eleitorais claramente definidos.
Portanto. precisamos abordar as questões histórica, multidisciplinaridade, populismo, fascismo, e  como superarmos a situação angustiante de visível quebra de unidade.


Uma questão de respeito à história de nossos povos.

Há quem diz não gostar de história. Há quem não sabe se gosta, ou não, mas tem muita curiosidade pelos fatos os quais o envolve, mas mantem certa impaciência perante as narrativas históricas, porque, talvez, a realidade dos fatos nem sempre são do seu agrado. Para outras pessoas, a história é uma ferramenta de trabalho, ou estudo. Um fato alarmante de hoje em dia: o historiador que não respeita a história: companheiro de orador que não respeita a gramática e de analista que despreza o senso crítico e a lógica; de um amante da verdade que destrata a ciência. Quadro horripilante!     

A história apresenta, dentre outras  coisas, atos e fatos decorrentes da ação governamental, do aparelho de estado e, por extensão, do Estado, no contexto de atos pessoais, individuais e coletivos, das que Plutarco chamava “vidas célebres”, agentes das organizações sociais tradicionais, protagonistas civis, militares, eclesiásticos e, por uma questão de assunção inexorável da modernidade, da nova plêiade de personalidades históricos da ciência, cultura, esportes, artes, tecnologia, lazer... relatados à parte de reis, governantes, servidores públicos, papas, cardeais, pastores, evangelistas...    

Por outro lado, há que se considerar que o debate político público envolve inevitavelmente o debruçar sobre “políticas públicas”, temática capaz de produzir ao longo do tempo certo consentimento conceitual sobre a realidades dos fatos mais importantes. Não se trata de consentimento pleno ee acabado, mas de entendimentos compartilhados por grande número de analistas de políticas públicas, tais como o entrosamento inicial a respeito de que é a política pública, a saber, segundo Celina Souza[1] o “governo em ação”, como parte distinta da organização civil. De sorte que há concordância entre os estudiosos da matéria de que quem faz políticas públicas seria o agente governamental.

Ademais, vale lembrar, debater políticas públicas é tratar, quase que obrigatoriamente, de interdisciplinaridade. Equivale dizer, a área de conhecimento em questão é produto da integração de várias áreas do conhecimento.

Nesse sentido, e dessa forma, entra a disciplina história no auxílio da compreensão, formulação e análise do tema das políticas pública, formulado a partir da contribuição de inúmeras outras  disciplinas, tais como - além da história - direito, economia, administração pública e as ciências sociais, disciplina que goza de especial atenção no campo de estudo em questão.

A contribuição das ciências sociais, a partir de suas subáreas de conhecimento, ou seja, ciência política, antropologia e sociologia - se mostram aqui intensamente presentes. Os saberes advindos destas áreas integram a “torre de babel” da disciplina. Todavia, a contribuição das subáreas que integram as chamadas ciências sociais se mostra distinta, tendo a ciência política, historicamente, papel preponderante frente as demais áreas.

Deixaremos para outra hora a discussão acerca da teologia. Deixo o gancho. A meu ver, essa pode, mediante o seu ramo da teologia política, contribuir para interpretação de códigos capaz de debelar a algaravia de línguas várias e estranhas existente, posto que para mais confusão, a antiga “rainha das ciências” já vem desde a muito sendo dispensada.


Fascismo: o notório fascinante. O que a história fará? O que faremos nós como sujeitos dessa história?

A história que nos toca é a mesma que nos fascina quando em frente à democracia cristã das antigas. Pouco ela tem também a ver, a propósito, com o PSDC, e com o Eymael, o recorrente  democrata cristão” do Brasil. Chega ser injusto com o Eymael ser menos notório do que o nada além de pilantra, Jair Bolsonaro. Ambos talvez merecessem a mesma "notoriedade". Eymaiel, parece, decisivamente um democrata e outro pilantra (como todos os outros) melhor um pouco do que  o outro visivelmente fascista.

Fato é que, ao chegarmos ao ápice do que dir-se-ia tsunami político, iniciado em 2005, do qual o Bolsonaro é apenas uma das partes do problema (o rabo final do problema; o lulopetismo é outra parte, a cabeça, a fonte, a boca, nessa sinédoque) – já equacionado e em breve resolvido, no que tange a recolocá-lo no lugar mais escuso dos porões da história aonde bem lhe cabe. 

Nisso, vale a pergunta: o movimento de democracia cristã tem algo a nos dizer no presente e para tal catastrófico estado de coisas?

Para Invernizzi Accetti, a resposta é um retumbante sim: se esse movimento que uma vez salvou a democracia na Europa, talvez o pudesse fazer por nós. Em sua narrativa, o autor diz que a onda atual de autoritarismo, dentre outras coisas, xenófobo (fiquemos só nisso para nnão puxar aquele connhecido rosário...), é muito semelhante ao momento em que a democracia cristã nasceu na Europa dos anos 1930. Não por que Trump e Marine Le Pen, e colocado nesse rol o pilantra, sejam espécies de Mussolini e Hitler, redivivos, mas porque eles, como essas figuras, contam com uma ampla coalizão que inclui tanto a ultradireita nacionalista, fascista, quanto os cristãos socialmente conservadores (evangélicos nos Estados Unidos, católicos na França).

Pode-se pensar que a chave para a saúde da democracia é arrebentar com esta aliança estapafúrdia. Afinal, a cooperação desses dois grupos não deve ofuscar sua diferença: enquanto os populistas estão preocupados em proteger o tal povo “puro” e unificado contra imigrantes “estrangeiros” e elites “cosmopolitas”, os cristãos conservadores estão principalmente interessados, de acordo com Invernizzi Accetti, em preservar os privilégios cristãos contra a esquerda supostamente secular.

Reviver a tradição da democracia cristã nessa narrativa pode ser a cunha de que se precisa. Um novo Adenauer poderia lembrar os conservadores do apoio histórico do cristianismo à política pluralista e democrática e, mais uma vez, inaugurar um período de estabilidade. na preservação dos privilégios cristãos.

Por que tanta dificuldade de compreender? A cooperação entre populistas e conservadores cristãos não é um frágil casamento de conveniência, mas é produto duma sobreposição ideológica substancial.

Eruditos conservadores nunca deixaram de ver Trump de maneira tão difícil. É o estropício Trump. Repreender os conservadores cristãos por não abandonarem seus valores “reais” é uma tarefa inútil. Razão por que a cooperação entre populistas e conservadores cristãos não aponta para um frágil casamento de conveniência. Aliás, como diria Invernizzi Accetti, é produto complexo duma substantiva sobreposição ideológica. Na verdade, apesar da onipresença das comparações intermináveis ​​com o fascismo, parte (embora certamente não o todo) do conteúdo do populismo (fascismo) poderia de fato ser atribuída aos democratas-cristãos.

Talvez a sobreposição mais óbvia seja no campo da sexualidade. 


Os democratas-cristãos gastaram uma energia tremenda promovendo o que entendiam como sexualidade cristã “adequada”. Eles trabalhavam incansavelmente para consagrar a família heterossexual como a unidade social básica (especialmente por meio das leis de casamento e herança) e opuseram-se duramente aos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Adenaeur, em contraste com o governo da Alemanha Oriental, manteve uma lei criminalizando a homossexualidade que Hitler havia usado para garantir 50.000 condenações - um número que o governo de Adenauer igualaria. 

A aludida tradição que muitos de seus herdeiros hoje continuam a preservar, mesmo que de forma mais leve. Merkel, por exemplo, votou contra a igualdade no casamento em 2017. Também é uma prioridade que os populistas costumam perseguir com um profundo senso de urgência. Embora adotem alguns princípios do feminismo e muitas vezes tenham mulheres como figura de proa (Le Pen na França ou Pia Kjærsgaard na Dinamarca), eles geralmente são vozes oponentes do não-conformismo sexual: Trump, - o estropício, tido como o epítome do patriarcado e da cultura do estupro - correu para banir transgêneros da área militar, enquanto seu homólogo húngaro Orbán desacreditou unilateralmente programas universitários de estudos de gênero. As visões sexuais dos dois campos, é claro, nem sempre são idênticas e existem variações dentro de cada grupo. Mas as semelhanças também não são cosméticas e às vezes superam as diferenças.

Isso é verdade para o tratamento das minorias, cuja marginalização está no centro da revolta populista. Com algumas exceções notáveis ​​(como o filósofo francês Jacques Maritain), a maioria das figuras democratas-cristãs dificilmente seriam o modelo de tolerância profunda. Sob Adenauer, o CDU descreveu o comunismo e a União Soviética como “invasão de estupradores asiáticos”[2] e seu governo em 1956 baniu o partido comunista alemão. Os líderes democratas-cristãos também raramente assumem uma posição firme sobre o anti-semitismo. Na disputa por eleitores que anteriormente se alinharam com os nazistas, os democratas-cristãos quase sempre evitaram o assunto. E, como o próprio Invernizzi Accetti observa, os democratas-cristãos, mais recentemente, têm estado frequentemente na vanguarda da articulação de ansiedades sobre os compromissos culturais "estranhos" dos muçulmanos, que supostamente minariam o caráter do continente.

Wilfried Mertens, ex-presidente belga da aliança democrata-cristã no parlamento europeu exemplifica essa lógica, quando explicou em 2003 sua oposição à candidatura da Turquia para se tornar membro da UE. “O projeto europeu é um projeto civilizacional”, trovejou, então, “a inclusão de um grande país de maioria muçulmana é inaceitável”. Essa rígida equação tem como incógnita o futuro da Europa, mas o número fixo é o Cristianismo, sempre como componente importante da visão do movimento. Sua diferença com o populismo contemporâneo é uma questão de grau e intensidade, não de substância.

Comparar não é igualar, e Invernizzi Accetti está certo ao dizer, a democracia cristã é dezenas de vezes preferível ao populismo

Existem diferenças substanciais entre os dois movimentos em questões importantes que não podem ser negligenciadas. Os líderes democratas-cristãos de Adenauer em diante, por exemplo, raramente recorreram à depreciação ao estilo de Trump da imprensa livre e nem procuraram substituir a mídia convencional por um órgão de notícias puramente partidário (o que cabe para o grupo político bolsolavista). Eles também não se envolverão no tráfico, de desinformações como o Orbán, 

Como estes e como Bolsonaro et caterva, de delirantes e paranoicas teorias de conspiração, de origem até antissemitas, jamais condenarão a violência contra as minorias apenas com o canto da boca. Froçando para não fazer gozação com o insfortúnio destas. E como o desdobramento da recente crise de refugiados na Europa demonstrou, alguns democratas-cristãos hoje são ocasionalmente capazes de deixar sua antipatia pelos muçulmanos em segundo plano, quando outras prioridades humanísticas os  aproximam.


Superar o populismo exige a adoção de algumas das mesmas políticas que os democratas-cristãos frustraram décadas atrás.

Mas Invernizzi Accetti não reconhece totalmente que há uma boa razão para o acúmulo de muitos eleitores de direita no campo populista. Não é necessariamente sua agenda ideológica que mudou drasticamente, mas sua paciência: eles reconhecem a capacidade de Trump e sua turma de realizar suas esperanças sem gastar tanto tempo em negociações cansativas com oponentes e conversa fiada de moderação. É por isso que, como a experiência dos últimos anos mostrou tão cruelmente, os apelos à decência ou à dignidade têm muito pouco efeito. Encantados com o brio de confronto de seus líderes, os eleitores populistas sabem o que querem e há uma razão para não estarem interessados ​​em alternativas, cristãs ou não.

Na verdade, apesar do que Invernizzi Accetti e outros comentaristas liberais (pense em Mark Lilla e Adam Gopnik) afirmam, é evidente que nem a retórica exagerada nem a educação ideológica matarão a besta populista. Hilary Clinton jogou aquele jogo com seu mantra “somos ótimos porque somos bons”, com resultados devastadores. Em vez de esperar um despertar pluralista ou democrático entre a direita, como propõem Merkel na Europa e Joe Biden nos Estados Unidos, é provavelmente mais produtivo tentar refazer a ordem social que levou ao surgimento do populismo em primeiro lugar. Isso implicará a imposição de redistribuição econômica, dobrando o feminismo e o anti-racismo, e um desafio ousado às hierarquias sociais arraigadas.

O sucesso desse esforço nesse desafio de superarmos os impactos do tsunami politico dependerá da participação dos cristãos, que muitas vezes têm sido o centro das lutas pelo igualitarismo. Afinal, as igrejas estão na vanguarda do movimento dos santuários e fornecem uma infraestrutura crucial para a mobilização social. Como a democracia cristã aponta corretamente, isso significa que alguns secularistas fervorosos podem precisar superar a suspeita anticlerical arraigada. O projeto de acabar com as desigualdades e garantir a democracia é muito mais importante do que debates sobre os limites do financiamento público para escolas religiosas ou instituições de caridade. 

Quem seriam os ícones dessa coalizão progressista ainda por vir. Não será Ângela Merkel, nem outro “messias”qualquer, cujo o grupo político prime pela pilantragem, como no caso da famíglia Bolsonaro, que, por sinal, tem destino certo para Bangu-8!

Não importa o que venha nos acontecer, na democracia não são os homens, pilantras inclusive, quem nos governam, mas as leis.[4]






[1] Para estudo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Poliarquia:_Participa%C3%A7%C3%A3o_e_Oposi%C3%A7%C3%A3o, 

[2] SOUZA, C. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. Revista Sociologias, Porto Alegre, ano 8, nº 16, 2006.

[3] De que a teoria conspiratória do marxismo cultural (Q-Anon, etc...) é apenas a reedição com retoques de homofobia, xenofobia, racismo...

[4] Não será fácil: https://g1.globo.com/mundo/eleicoes-nos-eua/2020/ao-vivo/eleicoes-americanas-2020-donald-trump-x-joe-biden.ghtml

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