JEZABEL HARRIS: A QUE PONTO CHEGAMOS! PARTE 1.

 O CALVINISMO E AS IDEOLOGIAS AUTOCRÁTICAS E AUTORITÁRIAS

1. A QUESTÃO.

O calvinismo posterior a Calvino predispõe os seus adeptos à adesão a ideologias autocráticas e autoritárias, avessas à democracia republicana e liberal?

1.8. REPUBLICANISMO,SIM? DEMOCRACIA, NÃO?

Choca completamente a qualquer cristão que cultiva o bom debate político a que ponto chegou o Calvinismo defraudado! 

O cristianismo defraudado! Pelo extremismo de direita, que o seria da mesma sorte, defraudado, caso o fosse, pelo extremismo político de esquerda.  

No site www.puritandownloads.com, do qual recebo newsletters há mais de 20 anos, consta uma postagem com o título “Left in Complete Meltdown Over Pastors Comparing Kamala Harris to Jezebel”, ou seja, “Esquerda em Colapso Completo por causa da Comparação de Kamala Harris com a Jezabel feita por Pastores”. Desse site do calvinismo, a que chamo defraudado, há um link para outro site[1] Reformation Charlotte - Conservative Christian News and Opinion, e, como sói ocorrer, essa matéria, de 29/01/2021, foi replicada inicialmente em 1020 sites, até dia 04/02/2021.

Politica conservadora cristão: Kamalla como Jezabel, assassina, pedófila, sodomita. Pois é do Partido Democrata.

Esse é o teor de um trecho que o site (um de muitos) do Calvinismo defraudado  (neo-puritanos) publica:

“Apenas para arejar e trazer clareza, sic, à situação. Kamala Harris, que agora ocupa o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos e é a mulher mais poderosa do mundo, é, em linguagem bíblica, um exemplo perfeito dos dias modernos de Jezabel. [isso só para arejar...]. Agora, para esclarecer, não tenho ideia de como é a vida sexual de Harris ou com quantos homens ela já esteve na vida, nem me importo [2]Também não estou interessado na cor de sua pele [3]. Mas, suas ações - duma perspectiva política - a colocam na categoria de uma mulher poderosa, doente e perversa, que odeia a Deus, assim como Jezabel.

Para esclarecer, sic, Kamala Harris quer assassinar crianças, promover a sodomia e incentivar a imoralidade sexual nas escolas públicas e forçar os cristãos a celebrá-la. Quer roubar de pessoas com uma boa ética de trabalho para dar às pessoas sem ela. Quer abandonar as leis de imigração e permitir que bandos de criminosos e cartéis de drogas controlem nossas fronteiras e entrem em nosso país. E, o pior de tudo, ela quer eliminar a proteção constitucional da liberdade religiosa, forçando os cristãos a adotar uma visão de mundo secular sem Deus ou serem empurrados para a margem da sociedade. ... O fato de que os chamados cristãos estão mais preocupados com as implicações seculares do termo do que com o verdadeiro significado bíblico é revelador”.[4]

Barbaridade. Como se vê, eis a expressão escatológica de movimento religioso, bárbaro, apocalíptico,  dentre os  quais, figura o do autoritarismo puritano, a conter algo até de sadomasoquismo, projeção psicológica, e outros distúrbios evidentes, que acometem os autointitulados “conservadores cristãos” norte-americanos, aliás, extremistas de direita, ou “direitopatas”. Apenas para ficar no mesmo nível de espirituosidade.



A pessoa que subscreve a matéria no Reformation Charlotte parece muito com o pessoal, de uma “perspectiva política”, claro, da escola de Olavo de Carvalho (ou seria o Olavo aluno dessa escola? – Mistério!); diz que vai esclarecer, mas confunde, ou seja, “confunde para explicar”. Mas, como se vê, logo chama atenção a afloração da questão da sexualidade e da cor da pele da Senadora evocada para dizer que “não se importa”, e dá um jeito de arrematar com a cantilena incompreensível de que “eles adoram o Estado todo-poderoso secular em primeiro lugar e seu deus é subserviente a eles”. Antes, porém, recrimina um certo sentimento de “alegria política” trazida a quem eles querem ver em “colapso”, nervoso, “pelos seus ídolos”. Nessa toada, contraditoriamente, apela para a linguagem destrutiva de defesa contra quem querem fazer sofrer, e eles, parece, gostam, e ao mesmo tempo sofrem, com ameaças, pois, “eles estão decididos a destruir o cristianismo conservador, porque o cristianismo conservador é a única coisa entre eles e seu deus”! 

Acompanhando esse raciocínio “conservador cristão”: se o problema fosse entre “eles” e o “deus” deles, porque é uma ameaça a "nós" que mantemos relação com outro Deus e não a "eles"? Será  que  é porque Deus, o nosso Deus, não vai intervir na relação “deles” com o “deus” deles, ou vai? Porque deveria o nosso Deus estar preocupado com o “deus” deles? E se o nosso Deus redentor está preocupado com “eles”? Que mova Deus os seus corações e os conceda a graça da salvação!

Um erro grande que se vê na condução da discussão é apregoar que o mundo ainda vive orbitando em torno da nossa religião, não está mais! Logo, as agendas, respectivamente, do mundo e da igreja, têm lugares e ocasiões próprias para serem validadas, ou não, na parte do mundo secular, ou religioso, a que se refere.

A igreja não pode se engajar numa agenda política e religiosa de implantar seus valores no mundo, quando o mundo já os rejeitou. Jeesus mesmo constatou quando a caminho do Calvário, se dirigindo ao procurador  romano deste mundo, “o meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”- João 18:36.

O tal desse mundo sempre tem rejeitado os valores do “outro mundo”, e vai continuar rejeitando-os.

O mundo só dá uma de “mundo cristão” quando o faz para defender uma agenda, tradicional; conservadora de costumes; de extrema-direita; dentro dos “padrões bíblicos”; institucionais; da Igreja universal, conforme a sua cúpula hierárquica, dominante; mas essa agenda é do mundo! Teria outra agenda? Uma agenda, liberal nos costumes; de extrema-esquerda? Se for será dentro dos “padrões bíblicos”; institucionais; da Igreja universal, conforme a sua cúpula hierárquica, dominante; mas nem por isso essa agenda será a da igreja, claro, será a do mundo! Mas, uma agenda moderada conservadora e um pouco liberal, de centro, aí que será mesmo do mundo, e não da igreja!  

A igreja no mundo!

Até que o mundo pode ser usado pela igreja que dele tira algum proveito. Até que a igreja pode ser abusada em sua ignorância, ingenuidade, boa-fé, santidade, pureza, espiritualidade, preocupação com a ordem moral e política, e com a harmonia social, coisas que são da igreja, da comunhão dos fiéis, dos piedosos, e não do mundo. Mas as agendas políticas sempre foram, são, e continuarão sendo, do mundo. A igreja tem agenda espiritual inclusive de preparação  dos crentes para ocupar o espaço público, numa democracia pela instrumentalidade dos partidos políticos de esquerda, de direita e de centro.    

Gengis Khan: direitona raiz! 

A agenda conservadora da política de extrema direita, em essência é, diferindo em grau, uns mais e outros menos, de Constantino dos romanos; Genserico do vândalos; Alarico dos godos visigóticos; Átila dos hunos; Gêngis Khan dos mongóis: Agenda de salvação da civilização humana dos que em sua degeneração moral tem causado a ruina, e pela volta do primitivismo, em sua liberdade da opressão, pureza e integridade, das culturas locais, de cuja implementação implica em destruição, despojo e barbárie! Os povos “bárbaros” não o eram porque eram bárbaros, mas pelas barbaridades sofridas pelos adeptos da “cultura degenerada” que resistiu e pôde mostrar o rastro de uma passagem desastrosa. Nem os vândalos eram “vândalos”!     

 

Alarico, revolucionário de extrema-direita, fora de época! Invade Atenas: agora vai!

Veja o Alarico (370 DC-410 DC)[5] não é era “bárbaro” para os godos, como o era para os “apóstatas degenerados e corruptos” cristãos gregos e romanos! Cristãos gregos e romanos não se achavam, lá entre eles,  conservadores tradicionais e progressistas reformistas, os “hipócritas, corruptos, que impunham carga tributária pesada, que era roubo, usado por sustentar luxo de devassos, assassinos de crianças, sodomitas pedófilos, satanistas. Mas era isso o que Alarico pensava um pouco deles!  Átila[6] (400-453); Gêngis Khan[7] (1162-1227), e outros ainda mais à direita do que Alarico, pensavam mais isso deles do que ele...  

Atila, rei dos hunos.

Passou esse tempo de cavaleiros, templários, terraplanistas, bruxas, feiticeiros. Aquele velho mundo dos demônios e anjos em todos os lugares morreu! Virou esse nosso globo aonde lá fora tem anjos e demônios quando o mundo é visto daqui dentro. Acabou a ideia dos quatro cantos do “mundo todo daqui dentro”, cercado de uma abóbada e limitado pela borda com os demônios embaixo, anjos e deuses lá em cima!    

Ragnarok:  Crepusculo dos deuses. Apocalipse nordico.

Voltar com essa ideia de que o mundo político e religioso, integrismo global, possa ser depurado a ferro e fogo e Deus vai na nossa frente é um equívoco total. De onde tem partido essas ideias?

Pensar que o movimento do mundo real social, econômico, político é essencialmente religioso, da pauta do demônio, do inimigo de Deus, referindo-se a uma única religião universal opressora do mal, imprimindo o mal em pessoas que lá fora que lutam por direitos civilizatórios, assim pensam eles, é uma mancada dos religiosos. De todos eles, de todos nós, a meu ver: cristãos, judeus ou muçulmanos; budistas ou hinduístas; animistas imanentistas ou transcendentalistas; calvinistas, puritanos e não puritanos ou arminianos fundamentalistas;  espiritas, umbandistas, kardecistas capitalistas ou liberais!

Pode até ter movimentos vários, inúmeros, espirituais, do bem e do mal, com cunho religioso ou  não, uns visando a destruição da natureza defendendo valores humanos e outros a preservação da natureza desnaturando os valores humanos, mas quem é quem? La fora? Aqui dentro a gente sabe, quem é quem? Creio nas forças malignas do diabo em oposição as forças de Deus!

A minha cosmovisão! E dai?

É questão mesmo de cosmovisão, visão de mundo? Sem dúvida! A visão de “cobertura espiritual” como se fosse uma pequena redoma individual de valores absolutos, um solidéu, um chapeuzinho de alumínio na cabeça de cada crente, e para onde cada crente for está debaixo da redoma da “autoridade espiritual” do líder, e o orbe todo está debaixo da redoma abobadada como se o mundo fosse uma catedral gótica normanda do século XI, e essa redoma reúne grupos familiares e de comunhão cristã, em células de edificação e crescimento, em graça na pessoa de “mitos”, em grupos de WhatsApp, é uma sedutora cosmovisão. Mas o problema maior com ela é pensar que o chapeuzinho de alumínio ideológico vai cobrir a terra, pois é o conhecimento da glória do Senhor que, “como as aguas cobrem o mar, encherá terra”, a partir do destrono de toda potestade política global “comunista”, “globalista”, “esquerdista”, “gaysista”, “satanista sodomítica”, “pedófila serial-killer”, que se opõe aos temíveis exércitos de Alarico, olu Gengis Khan!

Gengis Khan e Mussolini

Com esse chapeuzinho de alumínio você cobre sua cabeça, com o chapelão de alumínio você cobre todo o grupo do WhatsApp, com um maior toda uma igreja local... mas está longe de ser “conhecimento de Deus que cobre toda a terra” de Habacuque 2:14! E alguém diz, vai ser assim ou  todas as vidas perecerão, a família tradicional será destruída, a igreja será avassalada, a sociedade será devastada? Essa é a visão!


Cubra a igreja com uma cosmovisão bíblica porque não vai dar para antes de cobrir a pessoa, a família e a sociedade vizinha, com uma visão sadia, cobrir todo mundo com chapeuzinho de alumínio! Manter a cobertura de um grupo fechado de  WhatsApp não é cobrir todo o mundo, nem que o mundo pudesse ser imaginado coberto com bilhões de comunidades virtuais de teorias da conspiração dos exércitos de Alarico, Átila, Gêngis Khan! Cobrem esse mundinho fechado, anacrônico, e nada mais!

Minha sogra, a Vovó daqui de casa, ficou muito triste porque as crianças, daqui de casa, não  cobriram  a piscina e a pobre de uma avezinha caiu na piscina e morreu!  As crianças falharam na cobertura! As crianças queriam se sentir culpadas por isso! A mamãe daqui de casa falou: Não pode! Não faz sentido! Cobrir a piscina com a manta não significa, pois, cobrir o mundo. Nem o laguinho, nem a poça funda de água do corredor de enxurrada, a nascente, o regato aonde a nascente verte, o córrego, o ribeirão, o rio, o rio maior, o mar!  O mundo aonde o passarinho pode morrer afogado não poderá ser coberto! Vovó está caducando! Tem muita gente caducando! Daí que você pode entender Paulo chamando atenção a Timóteo, “rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. Velhas caducas não querem saber mais de ir a fundo na questão que envolve a tragédia em meio do fluxo das correntes que envolvem “tudo que Deus criou” que “é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado”. I Timóteo 4. Velhas caducas  querem encontrar um culpado que falhou na “cobertura”. Mas a tragédia do pobre animal, oh que tristeza!, foi ele ter sido expulso do ninho e jogado dentro da água!

Quando tem na igreja um presuntivo filho da promessa que “fez a opção” por “querer virar” homossexual. Que tragédia! Culpa da esquerda! Culpa do marxismo cultural! Entre tantas tragédias essa seria pior! Pior do que o suicídio de um pobre rapaz! Nada poderia ser mais trágico para a família!! Ele fez “a opção”!  Desgraçou a família! Faltou à igreja e ao grupo político redentor ter estendido, sobre o orbe, a sua cobertura política, destronado as estruturas de iniquidades! Grandes delírios das velhas caducas. Pobres velhas de sofrimento caducas, com suas tragédias sem medida em suas famílias! Formular uma a fábula, uma teoria, é melhor do que encarar a realidade! Com isso me solidarizo.



Continua.



[2] Se não se importa, por que está mencionando? Hipocrisia.

[3] E por que mencionar a cor da pele?

[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81tila  - “Prisco relata ter conhecido dentre os hunos um cidadão romano que fora capturado e, depois de liberto, decidira permanecer dentre os hunos por conta dos pesados impostos, do governo corrupto e da injustiça e custo proibitivo do sistema jurídico romanos”.

[7] https://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis_Khan - O decreto de Genghis Khan isentando os taoístas (xiansheng), budistas (toyin), cristãos (erke'üd) e muçulmanos (dashmad) de taxas fiscais foi continuado por seus sucessores até o final da dinastia Yuan em 1368. Todos os decretos usam a mesma fórmula e declare que Genghis Khan foi o primeiro a dar o decreto de isenção. O decreto de 1261 de Kublai Khan na Mongólia nomeando o ancião do mosteiro Shaolin usa a mesma fórmula e declara "de acordo com o decreto de Genghis Khan que diz que os budistas, cristãos, taoístas e muçulmanos podem ser isentos de todos os impostos e podem orar a Deus e continuar a nos oferecer bênçãos... Eu dei este decreto ao ancião Shaolin para carregá-lo. De acordo com Juvaini, Genghis Khan permitiu liberdade religiosa aos muçulmanos durante sua conquista de Khwarezmia "permitindo a recitação do takbir e do azan". No entanto, Rashid-al-Din afirma que houve ocasiões em que Genghis Khan proibiu o abate Halal. Kublai Khan reviveu o decreto em 1280 depois que os muçulmanos se recusaram a comer em um banquete. Ele proibiu o abate Halal e a circuncisão. O decreto de Kublai Khan foi revogado após uma década. Genghis Khan conheceu Wahid-ud-Din no Afeganistão em 1221 e perguntou-lhe se o profeta Maomé previa um conquistador mongol. Ele inicialmente ficou satisfeito com Wahid-ud-Din, mas depois o dispensou de seu serviço dizendo "Eu costumava considerar-te um homem sábio e prudente, mas a partir desta tua palavra, tornou-se evidente para mim que não possuis um entendimento completo e que a tua compreensão é pequena ". https://en.wikipedia.org/wiki/Genghis_Khan


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