RALLIE DO ESTADO: POLÍTICAS PÚBLICAS, ABORTO, GÊNERO E TANTAS COISAS ATÉ MAIS IMPORTANTES.

 O Calvinismo e as Ideologias Autocráticas e Autoritárias

1. A QUESTÃO.

O calvinismo posterior a Calvino predispõe os seus adeptos à adesão a ideologias autocráticas e autoritárias, avessas à democracia republicana e liberal?

1.1. JEZABEL HARRIS: A QUE PONTO CHEGAMOS! PARTE 1.

1.2. JEZABEL HARRIS: A QUE PONTO CHEGAMOS! PARTE 2.

1.3. PARTIDARIZAÇÃO POLÍTICA DA FÉ: PECADO CONTRA A IGREJA.

1.4. O AUTORITARISMO E AUTOCRACIA PURITANAS: HERANÇA MAL AFAMADA IMPOSTA AOS CALVINISTAS.

1.5. HORIZONTES DA DEFESA DA DEMOCRACIA NO MEIO RELIGIOSO.

1.6. RALLIE DO ESTADO: POLÍTICAS PÚBLICAS, ABORTO, GÊNERO E TANTAS COISAS TÃO OU MAIS IMPORTANTES.

1.7. DEMOCRACIA? POR QUE NÃO?

1.8. REPUBLICANISMO,SIM? DEMOCRACIA, NÃO?

Estado: alvos e percalços no caminho. A cilada da idolatria política. 

Na Bíblia traduzida, tal como a conhecemos, principal registro da primitiva civilização judaico-cristã, a palavra Estado não aparece. No contexto mais moderno dessa civilização a palavra Estado vai surgir fora da Revelação exatamente para designar aquilo que era Estado traduzido por outro nome: reinado, reino, dominio, governo, significado básico da palavra malkút, מַלְכוּת no hebraico, em grego basileia(basileia). Estado tradicional, religioso, todo-poderoso, oligarquia, império. O Reino, Estado, מדינה, 'malekhet', foi outorgado aos delegados de Deus, os 'malek', a ser passado para toda a dinastia, a quem tudo pertencia por direito divino, além das "rachadinhas"! Até hoje a palavra árabe para Estado é aldawlat, الدولة, quer dizer, dinastia, império.

No passado os povos estavam à disposição do Estado, do malakato, a partir do laicato, laicidade, Estado deve estar à disposição dos laón, laion, ou laeon, λαών: povos! Porque o Reino de Deus já não era mais territorial mas do povo de Deus, a sua herança espiritual. O Estado laico é o estado não religioso. Já não mais teocracia, mas a laicocracia, e em virtude, do 'laón' virem residir na 'polis' e formar uma 'demos', muitos povos, a laicocracia passou a poder se revestir de democracia!

Na discussão com os que perfilam à linha ideológica mais à direita[1], os aderentes de outras ideologias são surpreendidos pela ideia de que há os “adoradores do Estado todo-poderoso secularyy”, colocado por eles “em primeiro lugar”, como um “‘deus’ que lhes é subserviente”. Portanto, trata-se de “comunistas”, “esquerdistas”, ou estão a meio do caminho disso, “decididos a destruir o ‘cristianismo conservador’, porque o ‘cristianismo conservador’ é a única coisa entre eles e seu deus”[2].

Corra Estado, corra! Se vira Estado! Tem que chegar no lugar e na hora para justificar sua existência.

Contra essa visão estática do Estado, o que a própria palavra pode equivocadamente sugerir o Estado não tem mais trono, não tem mais a divindade que o segura! Corra Estado, corra! A societas põe o Estado para correr...

A causa disso seria a utilização abusiva pelo Estado do poder extroverso que lhe é intrinseco,  poder, a saber, de constituir unilateralmente obrigações para terceiros em relação a ele, extravasando-se dos seus próprios limites, invadindo as esferas de “soberania” da igreja, família e indivíduo. Isso quando Estado está sob o governo não mais do “ungido de Deus”, de direita, presuntivamente comprometida com a Lei Eterna.

Extrema-direita dos EUA, pela internet, veicula seu lixo ideologico, compartilhado por www.puritandownloads.com, site de calvinismo defraudado cultivador de fakenews e teorias  conspiratórias. Eles defende o Estado estático para servir as elites. Elites como sinonimo de Estado!!     

Tal crítica não tem nada de cristão conservadora, é “conservadora cristã”. O termo substantivo é "conservador" e adjetivo desse tipo de "conservative" é, incedentalmente, e até alegadamente, sob o pretexto de se valer ocasionalmente  de aspectos tido por "inocentes" da ideologia liberal para questionar a democracia liberal laica, cristão! O Estado a impugnar: o que tem avançado em relação à normalização da orientação sexual homoafetiva; da instituição do casamento civil de pessoas do mesmo sexo; da implementação de políticas públicas em relação ao ato do aborto quando previsto na legislação: em suma, implementando a garantia  da igualdade de todos perante a lei, sem discriminação de sexo, raça, etnia, crença, ideologia etc. Sem entrar no mérito dos pontos de pauta, já que, consensualmente, já se entende que não cabe mais  a discussão do mérito concernente à moral  "cristã tradicional" versus a moralidade pública, laica.

De fato, há serviços em que se exerce o poder extroverso do Estado - de regulamentar, fiscalizar, fomentar. Dentre os quais: a cobrança e fiscalização dos impostos, a polícia, a previdência social básica, a fiscalização do cumprimento de normas sanitárias (ainda mais em tempos extremosos  de pandemia), o serviço de trânsito, a compra de serviços de saúde pelo Estado, o controle do meio ambiente, o subsídio à educação básica, o serviço de emissão de passaportes etc.  

Observa-se que a “adoração ao Estado” não é colocada no sentido coerente ‘quakerista’, adotado inclusive pelas “testemunhas de jeová” e outros grupos religiosos em que se prega a proibição, como prática idolátrica, o hasteamento da bandeira, a execução do hino nacional, a participção de eleições, o serviço militar etc. o que os mais tradicionais chamam naturalmente  de “culto à pátria”. 

Os “conservadores cristãos” de hoje retornam com a ideia de que o Estado, laico e plural, deve deixar de ser dinâmico, mas voltar a ser estático, religioso e cristão, impondo a obediência da Lei de Deus, na ordem pública e privada, e não mais à de sua própria lei, humana. O Estado não deve mais colocar-se, insubmissamente, como legislador, fora, acima ou c.ntrariamente aos limites da lei divina. Quem promove, aceita, ou se acomoda com, essa situação, está numa situação de “adorador do Estado”. 

O problema é assim colocado, meio obscuramente, pois não se tem como certo que o "adorador do Estado" seria somente o que se coloca como promotor do avanço do poder extroverso do Estado no sentido de regulamentar certas situação sob apreço, e assim adota atitude de beneficiáro, ou se o que aceita como justa a regulação que busca a paz e justiça presumidas até quem somente se acomoda como simples cumpridor das leis, são pertencentes à vala comum dos "adoradores do Estado".      

Governo cristão? Ditadura militar? Tapeação de novo? Tapeação não! Restauração!

Está patenteada a falta de coerência dessa ideia, tanto que os seus defensores se movem entusiasticamente mais por meio de perspectivas emotivas, irracionais, teológicas extremadas, utópicas, revolucionárias, desprezando a prática política, apelando mais para a intervenção sobrenatural militar e apocalíptica ou chantagem eleitoral, com menosprezo completo para com a democracia. No limite, respaldam práticas castristas de repressão, como bem exemplificado pelo movimento revolucionário de 1964.      

Ungido  pelos neopentecostais do governo cristão faz arminha para amendrotar o diabo, pra baixo! O diabo das milicias da baixada e o das de Rio de Pedras?     

Forçoso é reconhecer, e todos os cristãos conservadores, ou não, haverão de concordar: somente Deus deve receber toda a adoração. Não parece  haver sentido no emprego desse termo para designar a atitude do  cidadão em reconhecer papel do Estado para legislar, regulamentar, fiscalização no tocante aos benefícios legais a todos. Em nada o Estado deve receber qualquer tipo de louvor em tom ou forma de religiosidade.

Reino deste mundo empareda o reino de outro mundo.

Não tem nada de estatismo, mais individualismo, mas sequer o estismo  é uma espécie de "adoração".  

O estatismo começa na extinta direita (nobreza e clero), para atender interesses da autocracis e aristocracia, defensora  da monarquia absoluta, no Antigo Regime, para quem o Estado praticamente é o Rei, posto no trono por direito divino. Tudo é do Estado, para o Estado e pelo Estado: exatamente assim para construir e preservar o cristianismo conservador.

Na monarquia absoluta não há igualdade de todos perante as leis (promulgadas pelo Rei para valerem em todo o reino, a partir da sua palavra), mas a desigualdade e privilégios previstos nessas leis que estabelecia o intervencionismo real (estatal), hierarquia e aristocracia. Nesse caso, Deus é louvado por meio da figura de seu ungido!

Antigo regime: os excluidos do Reino de Deus e do seu ungido Luis XIV com suas cortes em Versalhes. Muito Justo?!? Muito Justo Verissimo! Povo alegre, veja a esperança estampada em seus rostos!

Posteriormente, aparece outra forma similar de Estado totalitário aonde este deve ser obedecido ainda que não representado pela figura de um “rei”, mas, por um partido político que assume o poder não mais em nome da classe econômica dominante, mas a parte sublevada da sociedade, no caso, o proletariado, ora sob a ditadura da classe dominante, implantada pela burguesia ascendente. Numa virada revolucionária, estabelece-se outra ditadura, a da classe dominada economicamente que passa a governar os destinos do país, ou da nação.

Em ambos casos, não há nada mais próximo de adoração ao Estado.

Esse é o povo que quer o bem de todo o povo! Quer é  revolução, que é matar gente, pelo direito do povo,das gentes, de ter um rei a obrar sua desenteria sobre as suas cabeças!      

Não parece haver a possibilidade de algo como adoração do Estado, entretanto, na república democrática e liberal. Essa cobra do cidadão o cumprimento de suas obrigações sociais perante o Estado. Obrigações devidas para viver a vida em sociedade de forma a mais livre, igualitária e fraterna possível, professando sua  fé, cultivando seus valores, desenvolvendo-se junto com a sociedade. Razão por que o conceito político de Estado continua designando uma forma de organização social soberana e coercitiva de que faz parte a sociedade como um todo.

Cabeça de quem obra desenteria sobre a cabeça dos povos selou seu destino! 

Assim, decapitado o rei, destronada a burocracia partidária (politburo), essa “entidade” deixa de ser uma “coisa” (res -  donde vem o rei) apropriada por uma família, uma classe de pessoas, e passa a ser o conjunto de “coisas”, instituições da república (res-publica) que possuem a autoridade e a potestade (em separação de poderes legislativo, executivo e judiciário) para regular o funcionamento da sociedade dentro de um determinado território.

Por sua vez, essa “entidade”, idolatrável, deve prestação de serviços públicos aos cidadãos pobres e ricos! Os “ungidos” já não o são pela botija de óleo santo do sacerdote, mas pelo voto ou pela nomeação. por meio do que se fazem mandatários momentâneos ou ocupantes de cargos permanentes (alguns vitalícios) de servidores públicos. Estes deveriam devotar ao cidadão, ao contribuinte, a quem tanto devem.      

Em conformidade com outras ideologias existentes além das do extremismo de direita e de esquerda, numa sociedade civil (aonde se tem cidadãos livres), contrariando as falácias da nova direita, delirante de teorias conspiratórias, ninguém depende do Estado por adorá-lo, mas porque dele precisa, como mediador da sociedade civil que deve ser, cuidador dos vulneráveis, permanentes ou momentâneos. O Estado confere ao cidadão (à cidadania consciente) o que é dele, a título de retribuição do Estado à sociedade.

Esse é o povo que o Estado está a serviço!  

O Estado produz bens públicos, a saber, os que não apresentam simultaneamente as duas características dos bens privados: o consumo rival (o consumo do bem por uma pessoa impede-o por outra) e a obediência ao princípio da exclusão (o usufruto do bem exclui quem não pagar o seu preço). Quando estas características não se conjugam, os bens são mais eficientemente produzidos pelo Estado do que por particulares (é o caso da defesa nacional ou da segurança pública).

Quando o ente estatal cobra impostos, diferenciadamente, e redistribui esses montantes através de mecanismos de seguridade social, pratica a função econômica distributiva.

A função econômica da estabilização reflete-se quando se processam intervenções com vista a estabilizar a economia do país, quer a nível interno (através das políticas orçamental e monetária), quer externo (equilíbrio da balança de pagamentos). Pretende-se, acima de tudo, assegurar crescimento econômico, estabilidade dos preços, emprego e equilíbrio das relações externas do país[3].

Meus valores, seus valores, nossos valores: Estado a serviço de toda a sociedade civil.

Paradoxalmente, a ideologia extremista autoritária, e até autocrática, de direita reclama do Estado “liberal”, para esta no contexto norte americano, esquerdista, “autoritário” que impõe, ou oferece a quem necessita, serviços públicos de garantia de direitos que ferem “valores”! Quem defende um partido que é pelo  Estado, de algum modo, provedor desses direitos e garantias não obedece a esses “valores”. Quando, então, doravante, o Estado peca contra os valores do Evangelho e da Palavra de Deus! Será? E quando o Estado absolutista se regalava na luxuria e  ostentação de seus portentos, cumpria os valores do Evangelho e da Palavra de Deus?

A infiltração dessa, além de outras, ideologia extremista, hegemônica na cristandade entre os séculos V a XVIII da era cristã, disfarça, de certo momento em diante, a predileção pelo autoritarismo que retira até a expectativa de direitos de todos, e culmina por fulminar a  própria cidadania.

Por isso, que começar uma discussão definindo e defendendo a priori valores ideologicamente orientados é algo incipiente, interdita o debate que não passa de esforço inútil, quando o ideal é avançar ao próximo nível na persuasão pela argumentação.

Valores não são ponto de partida, mas de chegada, para o Estado-servidor que tem o dever de respeitar valores éticos e morais humanísticos religiosos e laicos, segundo a compreensão plural da sociedade, e conjugá-los na forma de uma legislação imposta pelo poder extroverso.     

É de uma alfabetização política primária e vaga discutir  somente “valores e princípios” e não sair da discussão acerca  do  descumprimento deles pelos adversários, segundo a visão suspeitosa e acusatória.

A postulação de valores não passa de engodo, serve somente para pregar a convertidos e suscitar falsos debates, intermináveis e estéreis, em nada frutífero para tomada de decisões na gestão pública e nas práticas civis e religiosas relacionadas com a esfera pública.

Por exemplo, dizer que, por questão de princípio, o aborto voluntário é um assassinato, quebra da lei moral de Deus, podendo ser perpetrado unicamente pela mulher gestante que escolhe permitir a intervenção atentatória à vida em seu corpo e pelo instrumentador desse ato, é algo que delimita e  encerra  a discussão, desde que haja equivalência de valores éticos e morais norteados pela religião e pelos bons costumes similarmente reconhecidos. Sem dúvida, cabe à esfera da disciplina eclesiásticas no tocante aos membros da igreja corrigir as falhas de interpretação. 

Todos merecem a proteção  do Estado até os povos não nascidos que tem o direito de nascer, sem esquecer o direeito à vidas dos nascidos vivos! Há equilibrio entre os  extremos!

Essa discussão patina, sem sair do lugar, no campo que extrapola ao religioso, quando há a concepção de aumentar o alcance da culpa ou responsabilidade desconsiderando as exceções à regra, ou em sentido contrário impor a aplicação da regra em casos não previstos, presumivelmente prestigiando valores e acusando os discordantes de menosprezá-los. Nesse ponto se desborda para o esforço inútil, pelo menos à causa do esclarecimento. E nesse contexto, vocifera-se que o ato e a prática têm a ver com “esquerda” ou “direita”, “comunismo” ou “democracia”, permanece-se no primarismo da discussão política, apontando um lado que é mal e corrupto e o outro lado, bom e puro. 

Aonde fica o “vamos  concordar em discordar”, nesse ou naquele ponto, “como pessoas sãs”?[4]

Para deixar suficientemente claro, a gente até pode adotar discursos na forma e no tom que nos permita dialogar contra o aborto, mas no Brasil não tem como dizer que “Harris (fulano qualquer) quer assassinar crianças”... quando propugna pela legalização do aborto de certa forma. Pode-se ser contra tal proposta, e propor retrocesso das alterações do Código Penal! Mas, de preferência, sem ignorância! Até que com a tese pode se concordar, qual seja impugnar a legislação que legalize ou permita em qualquer caso o ato do aborto, voltando a tipificá-lo como crime e em alguns casos propondo aos atos a clandestinidade! Mas com a apresentação dela dessa forma? Principalmente porque nem tem a lógica retórica requerida!

Sim! Para além da questão moral do ponto de vista religioso, há a previsão do Código Penal em contemplação a problemas de saúde pública da mulher.

Nesse sentido, o código penal brasileiro fazendo coro com os códigos penais  de todo o mundo diz que determinado crime se comete em determinado tempo: hora, minutos e até segundos precisos; em determinado lugar, indicado com precisão até milimétrica: “art. 4º - considera-se praticado a crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado; art. 6º - considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado”.

Falar de assassinato quando se defende a legalização do aborto é se expor ao cúmulo da ignorância ou rematada má-fé para quem entende de ciência política ainda que possa parecer aos ignorantes e incautos a verborragia heroica no sentido de “combattimento demoni”! 

Cosmovisão cristã defraudada!

Tampouco  se pode dizer que é crime de apologia à prática de outro crime. Vejam os artigos do CP: 14, 1124 a 128; 286, 287, posto que o aborto é um desdobramento do crime contra a vida derivado do art. 121, crime de homicídio simples: “matar alguém”.  O art. 124 tipifica em similaridade o crime complexo de “provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque”, neste caso, é aborto provocado pela gestante com, ou sem, seu consentimento. Há o caso de aborto provocado por terceiro, art. 125 - "Provocar aborto, sem o consentimento da gestante"; e o 126, "provocar aborto com o consentimento da gestante".  

Diferentemente, o art. 128 diz que  “não se pune o aborto praticado por médico (aborto necessário): se não há outro meio de salvar a vida da gestante e no caso de gravidez resultante de estupro. E o aborto deve ser precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Aonde está o crime de defender o que está na lei, de  alternar para  menos, ou  para mais, o alcance da Lei?

Pior, operadores do direito vê um crente ignorante insinuando a prática de assassinato quando se pertence a um grupo político aonde tem pessoas que discutem em alto nível a matéria e subtrai covardemente e desonestamente  o esclarecimento devido ao incauto! Ministros há, presbíteros docentes, que negligenciam à docência para defender uma ideologia calcada na ignorância como padrão, por interesses pessoais! E são estes que  a  esmo insinuam que eles  não adoram o Estado! E quem o adora? 

A questão de a Bíblia impor, ou não, e em que termos, a aversão ao homossexualismo (homofobia), fora dos ambientes eclesiais. 

Precisam ser sopesados os dizeres acusatórios de que alguém “promove a sodomia e incentiva a imoralidade sexual nas escolas públicas e força os cristãos a celebrá-la”. Não procede. Dizeres tais ferem a Constituição Federal de 1988 que garante:

“IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”.

E quando alguém acusa outrem de por pertencer a um partido é assassino, corruptor de menores, pedófilo, sodomita e até mesmo ser chamado de gay, sem o ser, a título de calúnia - ou o sendo, por discriminação, a título de difamação; ou mesmo pela mesma intenção infamatória chamar alguém de esquerdista, comunista, socialista ou liberal? Diferentemente talvez que nos EUA, arcam-se aqui no Brasil com as consequências por dano material, moral ou à imagem, e e sujeitam-se  à sanção penal por cometimento de crime. Ainda mais grave é chamar gente de comunista, do grupo de esquerda, tal como o socialista, equiparando-o a fascista, no sentido de que tudo é sinônimo de assassino, devasso, corrupto e a prova seria a filiação a partido político registrado legalmente sobre o fundamento republicano do pluralismo político.

Antigamente todo dia era dia de indio, hoje todo dia é o dia da infâmia! 

E não adianta dizer que a infâmia se faz em defesa da causa de Cristo, da verdade e da santidade do evangelho e da Lei de Deus, denunciação de pecados sociais ou nacionais! Pois se trata de intimidação, coação!

Recorrer ao Estado, à sua função jurisdicional para dirimir dúvidas até a respeito ao caráter do indivíduo sob suspeita atuando livremente na sociedade, não  é adorá-lo. 


[1] Eatwell e O'Sullivan dividem a Direita em cinco tipos: 'reacionária', 'moderada', 'radical', 'extrema', e 'nova'. Cada um destes "estilos de pensamento" são vistos como "respostas à  esquerda", incluindo o liberalismo e o socialismo, que surgiram desde a Revolução Francesa de 1789. 

A) A "direita reacionária" olha para o passado e é "aristocrática, religiosa e autoritária". 

B) A "direita moderada" é tipificada pelos escritos de Edmund Burke. É tolerante à mudança, desde que seja gradual e aceita alguns aspectos do liberalismo, incluindo o Estado de direito e o capitalismo, embora veja o radical laissez-faire e o individualismo como prejudiciais para a sociedade. Muitas vezes, promove políticas de assistência social e nacionalismo. 

C) A "direita radical" é um termo desenvolvido depois da Segunda Guerra Mundial para descrever grupos tão diferentes como macartismo, a John Birch Society, o Republikaner Parte na Alemanha Ocidental, e assim por diante. Eatwell salienta que esse uso tem "grandes problemas tipológicos" e que o termo "também tem sido aplicado a evoluções claramente democráticas", incluindo o populismo de direita e vários outros subtipos. 

D) A "extrema-direita" tem 4 características de acordo com Roger Eatwell: "1) antidemocracia, 2) nacionalismo, 3) racismo; 4) estado forte". Ele acrescenta que a violência agora não é mais uma característica. 

E)  A "nova direita" consiste dos conservadores liberais, que enfatizam um governo pequeno, mercados livres e a iniciativa individual.

O cientista político francês René Rémond propôs (em Les Droites en France), sobretudo a pensar no seu país, uma classificação tripartida:

1.        Direita legitimista: monárquica, tradicionalista, clerical, pró-Antigo Regime;

2.       Direita orleanista: liberal e parlamentar (durante muito tempo desconfiada do sufrágio universal);

3.       Direita bonapartista: populista e nacionalista, com atração por líderes carismáticos e hostil ao parlamentarismo e ao "jogo dos partidos".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Direita_(pol%C3%ADtica)

[2] https://reformationcharlotte.org/2021/01/29/left-in-complete-meltdown-over-conservative-pastors-comparing-kamala-harris-to-jezebel/

[3] Extraído:  https://www.infopedia.pt/funcoes-economicas-do-estado  

[4]    Reg Henry: https://www.post-gazette.com/opinion/reg-henry/2014/07/16/Reg-Henry-Let-us-agree-to-disagree-like-sane-people/stories/201407160045

 “Quantas vezes temos ouvido que “esquerdismo/liberalism” é um transtorno mental”? Os que me enviaram isso claramente acham que estão sendo muito espirituosos. Claro, eles nunca teriam pensado nisso, se o apresentador de talk-show Michael Savage não tivesse escrito um livro com o mesmo nome de sua contribuição para a degradação da humanidade.

Da mesma forma, Ann Coulter, que fez carreira tentando ser causticamente fofa, também acredita que o ‘liberalism’ é “um aspecto da doença mental” e afirma ter dito isso primeiro. Bem, isso é algo para se orgulhar.

Mas xingamentos psicológicos estão aparentemente num campo bem concorrido. Há até um livro intitulado “The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness,” por Lyle H. Rossiter Jr, MD. O bom médico pode não ser tão conhecido como os outros, mas a descrição de seu livro no site da Amazon é um clássico, um tour de force risível:

“The Liberal Mind é o primeiro exame em profundidade da maior loucura política de nosso tempo: os esforços da esquerda radical para regular o povo do berço ao túmulo. Para nos resgatar de nossas vidas conturbadas, a agenda liberal recomenda a negação da responsabilidade pessoal, incentiva a autopiedade e a piedade dos outros, fomenta a dependência do governo, promove a indulgência sexual, racionaliza a violência, justifica o roubo, ignora a grosseria, prescreve a reclamação ” etc. e etc. e tal...

Puxa, pelo menos nós, liberais, somos gentis com nossos animais de estimação. Como um liberal que vive uma vida tranquila, que acredita fortemente na responsabilidade pessoal e que não pode ignorar rudeza grossa,  posso dizer que pessoalmente não conheço nenhum liberal cujas crenças se encaixem na descrição acima. Quando se trata de distúrbio psicológico, só posso sugerir gentilmente: médico, cure a si mesmo.

Minha calúnia conservadora favorita (alerta de ironia) é uma que coro ao escrever, embora tenha assumido seu lugar viscoso na linguagem comum - “libtard”. De autoria desconhecida, é o duplo vencedor dos sorteios de ofensiva. Ele pega a palavra liberal e a combina com retardado. Que esperto! Que divertido! Quão totalmente desprovida de decência humana uma pessoa deve estar para se divertir tanto.

Mas é verdade que os liberais também mergulharam nas mesmas águas turvas em suas tentativas de pintar o conservadorismo como um transtorno mental. Eles simplesmente não tiveram tanto sucesso, apesar de um suprimento aparentemente abundante de material para trabalhar - o impulso irresistível dos conservadores de fechar o governo periodicamente, uma crença obsessiva de que os Estados Unidos estariam melhor se menos pessoas tivessem seguro médico, um infundado medo de que a lei Sharia tome conta do que é visto como um país cristão.”

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