Unção é o ato ou efeito de ungir,
de aplicar óleo consagrado numa pessoa, por extensão, a unção se refere à cerimônia religiosa em que
esse ato se dá. Fora do círculo religioso não há unção, nesse sentido literal,
porém simbólico! No sentido não literal, figurado, remete-se à “coisa”
simbolizada, a outorga de poderes.
Somente na ultrapassada teocracia
o nosso santo e bom Deus aprouve outorgar os poderes ao "seu ungido”, comedor
de macarrão. Acabou com esse vetusto expediente provavelmente depois do fiasco que
foi Herodes, o Grande, que fora, ou se atribuiu como se fosse, salvo engano, o último ungido de Deus em Israel.
Desde então o Deus Todo-poderoso não ungiria mais senão alguns eclesiásticos da Igreja
d’Ele. Foi a partir de Constantino que os eclesiásticos da Igreja d’Ele, por conta e risco deles, por uns bons séculos passam a ungir os tais "reis". Até que o bom Deus providencialmente permitiu que esses "ungidos reais" tivessem a boa e merecida e bem aventura guilhotina por sobre os seus reais pescoços, pelo que foram promovidos para as "mansões dos mortos", celestiais, ou não, quem o sabe!
No círculo político a unção não vige desse modo, pode até querer
dizer outra coisa!
Acompanhe essa explicação.
Todas as pessoas direta ou
indiretamente podem atuar na política, no contexto da política pública em que
figuram instituições, ideias e atores.
Políticos eleitos são os atores
políticos domésticos
os quais aponto em primeiro lugar, não por ordem de importância. Prefiro tratar deles em relação com outro ator
político que é o público. Muito mais importante. Sociedade
civil, vontade coletiva, opinião pública, eleitorado, cidadania etc. A prevalência
desse ator político sobre os demais configura a sociedade participativa e faz
surgir os poderes constituídos divinamente constituídos
pela vontade manifesta do povo, em assembleia constituinte: executivo e
legislativo. A constituinte estabelece a posição de um outro poder constituído,
o judiciário.
O público na democracia representativa
a e participativa, mediante o voto dos eleitores unge os
representantes de suas preferências, propostas visões. Não há hierarquia
entre o executivo e legislativo. Porque não há um ungido celestialmente ou
previamente pois todos os ungidos recebem a mesma unção do voto.
Não é porque o postulante a um cargo
majoritário eleito com aquele mero mínimo, a metade mais um do número de
eleitores, no segundo turno, que tal
indivíduo vai ter mais peso político do que quaisquer um dos deputados ou
senadores da República. Porquanto, na verdade, a escolha se deu mais pela
exclusão dos outros e não pela escolha de tal postulante. Ele tem que ter a humildade de reconhecê-la.
O Congresso Nacional, Parlamento,
somando todos os representantes do povo, evidentemente, tem muito mais peso político do que o Presidente.
Isso ocorre analogamente em relação aos estados e municípios. Sequer entre os
pares um parlamentar com mais voto popular tem mais peso político do que o de menos
voto.
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| O que era antes a botija de azeite do sacerdote! |
A ideia de que o Presidente da
República tem hegemonia perante outros poderes, ou até em termos de
políticas públicas, é um engano. É um delírio. Certos políticos populistas
e reacionários usam dessa pretensa superioridade como simples engodo
para oferecer vãs promessas aos seus encantados cujo cumprimento não depende dele, sequer, muitas
vezes, nem dele deve ser a iniciativa para discussão de tema no Parlamento. Fazem isso com desfaçatez, falastrona e picaretamente.
Apesar de o Brasil não ser uma
república parlamentarista, mas presidencialista, o Presidente da República,
ainda que detenha o poder do veto sobre as propostas, a última palavra sempre é
dos representantes do povo.
Junto com esses dois atores
políticos - os políticos eleitos e o público - figura
aqui a chamada burocracia.
Ela é integrada por todos
funcionários nomeados que lidam com a política e administração
públicas. Normalmente ingressam por concurso público em que demonstram méritos
e passam a deter a expertise burocrática capaz de ajudar o executivo no
cumprimento de suas funções, e no inter-relacionamento com o legislativo. Quem
lida mesmo com os problemas e necessidades da Nação, os que pensam, é a burocracia, a
área técnica governamental, que no Brasil está muito presente também no
legislativo e menos no judiciário, já que a judicial é a única função do
judiciário.
Junto com políticos eleitos,
público e burocracia, tem-se os outros atores políticos:
partidos políticos, grupos de interesse e de pressão, think-tanks e
organizações de pesquisa, comunicação de massa e expert's/consultores
acadêmicos. Esses atores políticos ocupam o cenário composto por eles as instituições
e as ideias.
As pessoas podem participar
integrando esses ”atores políticos” instituições e promovendo ideias.
Quando se depara com uma figura
obtusa chamada de bolsolavista surge dele a interrogação: “quem é você na fila de
pão”, intimidando e insinuando que nós, o público, não podemos ser o
sujeito, mas apenas um objeto do processo político. Esse sujeito
é o chefão e o seu círculo de assessores ignorantes encastelados no poder. É preciso
se contentar com a condição de simples minion de quem teria privativa
autoridade divina para fazer e falar quaisquer bobagens. A resposta tem que
ser incisiva, clara, o público, a população, de quem o presidente
é simples empregado, é um dos atores políticos em paridade com os políticos
eleitos e os demais. Tem que aprender a se posicionar como tal.

Se você for. feito eu, cristão, cidadão do
reino terrestre (político) e do reino celeste (apolítico), quer
aceite ou não, não é mais Deus, por meio de ordens sacerdotais religiosas cristãs,
não-cristãs ou pagãs, quem unge, outorgando poderes a políticos eleitos.
Ele deu ao seu servo laico essa autoridade. E a deu para quem nem é seu servo! Não seja
incompetente, um bananês, querendo devolver o oficio para o qual Deus o designou! Não
baixe a cabeça perante impostores! O eleitor é quem dá a unção
para eles quando os escrutina nas urnas, e a retira quando um deles não a
mereça mais, quando se posiciona na oposição e tece críticas e até propõe impeachment,
no caso de crime de responsabilidade! O
cidadão é quem detém a unção. Tem-na mão como a botija santa!
Vejo por aí certos internautas incautos,
ou mal intencionados, referir-se a um tal “chefe da nação”. São os vindos diretamente
dos grupos de WhatsApp, controlados por milícias digitais comandadas
pelo gabinete do ódio, que tem por aí, que tentam reeleger a qualquer custo
o “chefe” deles de plantão. E ele nem governou e já querem o incauto, ou mal intencionado totalitário, reeleito! Eu votei nesse um no segundo turno, for no more...
O Brasil, vale lembrar, não se transformou naquela Banânia. Não tem chefe de nação, sequer tem por aqui essa figura
esdrúxula em “nação indígena”. Indígena quando muito tem “chefe de
aldeia”! Chefe, se que é ainda o tem, é o encontradiço no canteiro de
obras de construção! Nas empresas tem, aliás, os encarregados de processos de trabalho
e os seus colaboradores!
O “chefe” de “araque”, de marca
“traque”,
em questão, pousa, ou posa, em redes sociais de chefe de facção, que por essa dita cuja é tido como chefe de nação! Faz uma encenação! É uma impostura. Uma palhaçada.
Em minha modesta opinião, são os
sicários de uma seita que o bajulam dessa forma. São os como uns de outrora, que
por aí, bajulavam o antigo apostrofado “babalorixá de banânia”,
lembram-se? ... são esses que assim chamam, um aí, como que ao “novo babalorixá da tal
nova política em banânia”! Chefe de que? Como de que? Como de “chefe da nação”,
cultural, relativa aos guerreiros da nação de Ogum? Ou dos cruzados, ou
templários do rei? Do flamengo, atlético, palmeiras...? Ou chefe ou líder de seita
religiosa, Rev Moon, Bispo Macedo, INRI Cristo, e outros...
Por que eu vos afirmo isso, nobres
amigos meus, tão diletos e tão queridos? Motivo por que única e tão-somente há que
se considerar que estado, governo, país e nação são conceitos que
abrangem aspectos diferentes, que na realidade não se correspondem.
Vamos ungir um dia de fato, quem sabe, o chefe
da nossa Nação brasileira. Um outro por que esse um ai não vai dar no couro!
Estado é o conjunto de
instituições que controlam e administram uma nação ou país e o
seu ordenamento jurídico, ou seja, é uma definição de ordem jurídica. No
caso do Brasil, isso seria um Estado que possui uma Constituição Federal, leis ordinárias,
medidas provisórias, decretos, resoluções, portarias e toda uma hierarquia
jurídica. Se o tal “chefe” assumisse apenas a condição simples, o que ainda se espera
dele, seria o chefe de Estado, apenas uma figura representativa, que pode ser substituída em eventos por qualquer pessoa da diplomacia, ou mesmo do alto escalão do governo.
País. É a composição geográfica
da nação. Normalmente coincide com um Estado, mas existem estados e nações sem
países, como os Cavaleiros de Malta (Estado sem país) e os ciganos (nação sem
país), respectivamente.
Governo é o aparelho de estado que
tem um chamado “chefe do poder executivo”, chefe de governo, que jamais
pode ser confundido com um de “chefe de nação” de Banânia! Tanto é assim que o
chefe de governo hoje é o presidente, mas quando do seu eventual afastamento, é
o vice-presidente, ou o presidente da câmara, ou o presidente do Supremo Tribunal Federal.
Não há mística nenhuma no papel de “chefe de poder”, “chefe do governo”.
Nação, pois, é definida pelo
conjunto de características culturais, tradições, língua, costumes, entre
outros fatores, que formam uma identidade mais cultural do que política
pela qual os indivíduos se identificam, se sentem participes. As nações antecedem o Estado e tem um caráter
mais subjetivo e humano. Um Estado pode ser formado por diversas
nações, assim como uma nação pode estar dividida em diversos Estados.
Então, o tal chefe de plantão
não é o chefe da nação, por esse motivo, e por outros que posso trazer para
cá! Diria que esse negócio de “chefe de nação”, muito manjado, evoca o nacionalismo à lá fascismo. O
chefe da nação seria um macho, chefe de família, vira chefe de clã, depois
chefe de milícia (ooooops!!), senhor da guerra, que vê a nação como monólito
formado por chefes de famílias, clãs, e (oooops) milícias!
Poderia até o Senhor Presidente
da República, talvez de 2022, pra frente, vir a ser ungido com tal título honorífico, caso e quando,
tão-somente, toda a nação lhe conferisse essa unção! Se, e quando,
tal Estadista congregasse as forças políticas das instituições,
ideias e atores com todas as características culturais, tradições,
línguas, costumes do país, dentre outros fatores. Quando, e se, tão-somente, em
torno dessa pessoa de sanidade mental; respeitada e respeitável;
preparada e honesta; culta e inteligente; não corrupta,
- o que é de somenos - pois isso não qualifica
ninguém só elimina alguns - se vê sintetizada numa identidade nacional
coletiva, democrática liberal, pela qual a maioria dos indivíduos se
identificam e se sentem participes ou representados por um grupo político, liderado
por tal Estadista.
Todos em, e pela, paz e harmonia,
enfrentariam como uma Nação as vicissitudes da nacionalidade, não importando quais sejam esses verdadeiros ungidos de Deus, os eleitores, indiferentemente sejam do
PSoL, PT, PSDB, MDB, DEM, PSL, PP, Republicanos, Cidadania... sem partido, mas
todos, apesar de divergências, reconhecessem a liderança de um homem, ou duma mulher,
que não divide a nação entre esquerda, direita e centro. Sequer o faça influenciado
por uma delirante comunidade virtual de teóricos da conspiração, negacionistas anticientíficos,
principalmente. Por um bando de milicianos digitais que fazem sua campanha ré-eleitoral,
enquanto defende a ditadura militar!
Gostaria de saber o que o
internauta tem na cabeça? Queria que o internauta tivesse consciência do que tem
na cabeça, ou do que não tem? Há algo presente ou ausente, em sua mente, que o impeça
de ver a realidade brasileira como ela é? A nossa realidade institucional, constitucional,
política? Em que mundo o internauta está afinal? No mundo real ou virtual? A realidade
é o que nem se vê, mas apenas se imagina: real ou virtual? Como alguém foi parar preso num mundo virtual de grupo de
WhatsApp? Como é que é pensar diferente de maneira virtual do que é real, no mundo não virtual, real?
(sujeito à edição)
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