PREPARADOS PARA A AVENTURA DO DEBATE POLÍTICO NO MUNDO REAL E VIRTUAL?
É inegável a importância do debate político
no amplo espaço público com a livre participação dos variados campos da
sociedade. Franqueada a presença do grande público, não só dos interessados, mas
dos que possam vir a se interessar. Por essa causa, endosso as colocações no sentido
de manifestar a importância de se conhecer o ambiente, o conteúdo e os participantes
inerentes ao amplo debate.
Devo dizer que delimito um locus de atenção da
discussão que abrange a igreja evangélica e os crentes evangélicos em seus
inter-relacionamentos com o mundo secular. Vasto locus! Pretendo confirmar a possibilidade
de atrair para o debate os acadêmicos e profissionais das áreas de formação
superior do setor público e privado, num nível que abranjas as pessoas mais simples das camadas
populares. A princípio direciono o foco a crentes. Mas, como convém à democracia,
qualquer um pode contrapor às ideias aqui representadas, desde que compreendido, em sua singeleza, tanto quanto possível, esse endereçamento.
O objetivo é trazer a divergência ou a possível
falta de compreensão em alguns pontos sem o que o debate inexiste. Doutra sorte, como se vê, o
debate tem-se resumido à “pregação a convertidos” dos extremos da polarização
política que se instaurou no Brasil ultimamente. Quem fica no centro não fala
senão aos ventos das procelas. No meu caso, não ficarei descontente caso se encontrem algumas
convergências com os pensamentos centrais que tenho a expor. Outrossim, será de
imensa alegria caso se encontre mais convergência do que divergência. Não terá
de mim nenhuma tristeza, espero, caso só se encontre aqui não pouca divergência, e eventuais
polêmicas.
Devo dizer que delimito um locus de atenção da discussão que abrange a igreja evangélica e os crentes evangélicos em seus inter-relacionamentos com o mundo secular. Vasto locus! Pretendo confirmar a possibilidade de atrair para o debate os acadêmicos e profissionais das áreas de formação superior do setor público e privado, num nível que abranjas as pessoas mais simples das camadas populares. A princípio direciono o foco a crentes. Mas, como convém à democracia, qualquer um pode contrapor às ideias aqui representadas, desde que compreendido, em sua singeleza, tanto quanto possível, esse endereçamento.
Passo em revista algo do que tenho aprendido a título de preparação pessoal para o debate público.
Na verdade, tive, pelo
menos nos quarenta anos mais recentes, a minha vida de puro embate e debate. Debates e embates principalmente defendendo posições técnicas na área governamental, no contexto
da política pública.
Não se pense que essa área técnica
governamental esteja isenta de acirramento. Ledo engano. O debate entre esquerda,
direita e centro sempre foi muito eletrizante. E por vezes, como
costumeiramente se diz, ora promovia mais calor do que luz, ora mais luz do que
calor. O debate frio normalmente é improdutivo: sem alguma nesga de calor, sem qualquer
luz.[1]
Há quem possa pensar que na prática esse
meu preparo intelectual, dada a pedagogia empregada um tanto caótica, não deve ter
sido tão bem-sucedida. Mas decorreu de muito esforço de estudo na tentativa de
sempre buscar e manter o (foco) focus. O que foi muito difícil para mim
desde o ensino primário. Poderia ter sido pior não fosse a insistência.
Aonde colocar o meu foco?
Sempre procurei saber do tal foco. Muitas
vezes não conseguia enxergá-lo, quiçá retraçá-lo, por causa de uma visão distraída
multifocal, comum a muitos – ainda que a poucos admitida – tardiamente detectada.
No início da carreira profissional e acadêmica, aprendi que o foco poderia ser
fixado no que fosse "melhor agrado", e assim se podia encontrá-lo com mais facilidade
tirando proveito da familiaridade pelo menos em termos de linguagem compreensível.
Consoante ao que se adota em casa, na oficina e na igreja – tudo num mesmo local
- já que o meu pai, logicamente era pai, pastor e técnico em eletrônica, “bi-foquei”
em eletrônica e em teologia. Não gostaria de contrariar muito ao pai já que a familia era o que tinha de "melhor agrado".
Apesar de ter feito curso técnico em
eletrônica, não consegui manter o foco nessa e/ou noutra área, se tivesse
conseguido manter o foco também nas atividades profissionais, e em outras,
continuaria multifocal. Feliz, ou infelizmente, os focos foram sendo eliminados
pelo critério da necessidade de subsistência. O que não impediu de
continuar sendo atraído pelos acalorados encantos reluzentes da teologia, embora
tenha me afastado eletrônica. Certo é que sempre me refiz e me consolei com as
palavras do hino cuja letra de Sarah Kalley, 163 – HNC – Direção divina, diz:
As tuas mãos dirigem meu destino!
Ó Deus de amor que seja sempre assim!
Teus são os meus poderes, minha vida;
Em tudo, eterno Pai, dispõe de mim.
Meus dias sejam curtos ou compridos,
Passados em tristezas ou prazer,
Em sombra ou luz, de acordo com teu plano,
É tudo bom se vem do teu querer.[2]
Isso explica a preferência por iniciar o meu projeto definindo o locus, ou loci, antes do focus.
Por
experiência na Administração Pública Federal pude perceber, em meio aos
turbilhoes da vida, os vários paradigmas existentes para realizar um estudo e
proceder uma análise[3].
Podem ser verificados do ponto de vista metodológico, a partir das categorias
analíticas que ora emprego: locus
e focus.
O locus é o território a ser abrangido pela exploração, estudo, análise (ou síntese), conforme se manifestam
os fatos, acontecimentos (fenômenos empíricos) a serem abordados. Era o que chamaríamos
de “local institucional do campo (institucional where)”.
O focus é a
perspectiva teórica que subsidia as discussões no campo do locus temático.
Nesse caso, o focus é o instrumental analítico utilizado em determinado
“enfoque especializado” (especialized what): ideias e conceitos que
transitam no amplo ou estreito locus.
Para tentar contextualizar, admite-se que o locus ora abrange dois mundos: o real
e o virtual. Já o focus é definido pelo olhar presente ou ausente
de quem o aplica na arena do cotidiano capaz de integrar esses dois mundos,
do qual eventualmente se pode extrair um recorte. O ser presente é muito
mais do que uma simples permanência física em determinado lugar, mas ser presente
ou ausente, mais ou menos, intensamente, num ou noutro mundo.
O focus será então ocasionalmente o recorte
do locus, do mundo real e/ou do virtual. Daí que se deve incluir uma
terceira dimensão, o sensus. Razão de ter-se a visão de modelo de experiência
que proporciona um espaço conceitual tridimensional[4]
para a realidade virtual - RV (e aumentada – RA).
Essa terceira dimensão é o sensus (sentido) da
atenção — o nível de excitação determinando se o observador está
altamente consciente ou relativamente inconsciente ao interagir
com o ambiente (locus).
Sabe-se que num ambiente virtual, a presença
é tipicamente um compartilhamento entre a realidade virtual e o mundo físico.
"Quebras de presença", rupturas, desligamentos, boicotes ... são,
na verdade, o afastamento da presença tanto de determinada realidade virtual
quanto de determinado ambiente externo em relação, ou em reação, a uma presumível
emolduração da realidade feita por um complexo que se chama ideologia.
Há "pausas de presença" quando a atenção se move para a ausência
— verifica-se que alguém que interessar pudesse, deixa de atender a estímulos
presentes no ambiente virtual, bem como a estímulos presentes no ambiente
circunstante. Um sinal de que há um interesse ainda a ser despertado. Num e noutro
caso, é possível questionar: a realidade virtual - RV, com sua realidade
aumentada - RA, ou não. permite aquela traiçoeira bem suave e embora bem controlada
transição do virtual para o real e vice-versa[5]?
Para além das aplicações de RV e RA, no mundo empresarial e tecnológico, integrando pessoas, computadores, periféricos e realidade apenas gráfica, é evidente que se evocam novas formas de convivência social que, por meio da tecnologia são capazes de ensejar novos comportamentos, costumes e valores. Tais mecanismos se relacionam diretamente com os pressupostos teóricos presentes nos filmes da franquia Matrix, especialmente no que se refere à existência de “mundos paralelos”, “espaços virtuais” de controle e dominação que, a despeito de toda complexidade, vivificam experiências dos sujeitos envolvidos no emaranhado de relações naturais e artificiais, num mundo de pouca realidade e muita fantasia.
Vivemos os nossos próprios ideais calcados na realidade ou os decorrentes dos delírios ideológicos de um e de outro extremo, que igualmente se apostrofam de psicopatas?
Num domingo desses passados, ouvi de um
pregador na igreja: “a nossa cosmovisão cristã fornece um par de óculos pelos quais
captamos a realidade”. A realidade real ou a virtual?
Importa muito a clareza na enunciação de
conceitos, que podem ser coincidentes, diferentes, equivocados, acertados,
convergentes, divergentes..., mas, sobretudo, compreensíveis. Essa clareza será
necessária para estudar e analisar fenômenos indicadores de se alguém está
preso na Matrix, ou está conseguindo fazer os recortes necessários à busca
do entendimento da complexidade dos dias em curso, do momento político de
graves crises se sobrepondo.
Mediante a elucidação do que cada debatedor pensa,
e expõe, e sobre que bases se sustentam, acerca dos temas embutidos na
discussão, pode-se estabelecer contrastes necessários entre as claras posições políticas
ou filosóficas assumidas, explicitadas, com honestidade, a olho nu ou mediante
óculos de visão tridimensional.
É sobre o desafio da elucidação resultada da clareza - a luz - derramada sobre os conceitos equívocos, em foco, às vezes intencionalmente mal traduzidos, que tenho me debruçado.
Vem comigo se preparar para o debate politico, que a tudo açambarca, no mundo real e virtual.
[1] Howlett, Michael; Ramesh M. e Perl, Anthony - Política Pública – Seus Ciclos e Subsistemas – Uma Abordagem Integral. Rio de Janeiro – Elsevier – 2013 pg. 57-100.
[2]
Rom. 8:28-30 “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam
a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de
antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu
Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
[3]
Keinert, Tânia Margarete Mezzomo - Administração pública no Brasil: crises e
mudanças de paradigmas - Annablume e Fapesp, São Paulo: 2000. 212 p.
[4]
Waterworth, Eva L., B.Sc. e Waterworth John A., Ph.D. Focus, Locus e Sensus:
As Três Dimensões da Experiência Virtual em Cyberpsychology & Behavior -
Volume 4, Número 2, 2001 Mary Ann Liebert, Inc. Disponível em http://www8.informatik.umu.se/~jwworth/FLS.pdf
[5] Heim,
Michael; A Essência da Realidade Virtual
- http://www4.pucsp.br/pos/tidd/teccogs/dossies/2009/edicao_2/2_1-a_essencia_da_realidade_virtual-michael_heim.pdf

Comentários