SUNDAY: FAST OR FEAST? DIA DO SENHOR É PARA JEJUAR OU FESTEJAR?
Ainda que o calendário cristão indique
estarmos na semana santa, no fim da quaresma, mesmo sabendo que tem muitos de nós
protestantes que não estão preocupados em pautarem suas vidas na disciplina
recomendada pelo nosso calendário anual, deixo à parte a abordagem da quaresma
como um todo.
Direto ao ponto: A prática do
jejum no domingo, e principalmente no Domingo de Pascoa para o qual foi chamado
um jejum solene nacional pela IPB. Deixo os teólogos e os concílios da igreja
examinarem a matéria e dar o respaldo.
Não posso deixar inteiramente de
lado a quaresma, semana santa, sexta-feira da paixão e o domingo da
ressurreição, mas mesmo não o fazendo, nem recriminando quem o faça, precisamos
sempre reformar nossas práticas para que se alinhem às Escrituras.
Caiu em mim a ficha. Lembrei que Jesus
disse a seus seguidores para não jejuarem enquanto ele estava presente, mas que
eles deveriam (jejuar) depois que ele partisse. Isso é encontrado em Mateus
9:15.
Jesus disse ainda a seus
discípulos em Mateus 6:16-18: “E, quando jejuardes, não vos mostreis
contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos
homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu,
porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não
pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai,
que vê em secreto, te recompensará publicamente”.
Obvio, então, que Jesus esperava
que seus seguidores jejuassem. Jejuassem sempre. Recorrentemente. Ordinária e extraordinariamente.
Em qualquer dia da semana. Mas, como tradição desde a época dos apóstolos, o
jejum foi proibido aos domingos, porque todo domingo celebra a ressurreição de
Cristo. Essa informação é importante para quem cultiva a teologia reformada.
Hoje em relação à prática
individual não se proíbe mais. Uma questão individual. Cada pessoa jejua
como o seu coração assim o dispor. Mas marcar um jejum coletivo para durar o
domingo todo? Induzir a que todos observem a prática durante o dia do Senhor?
Sabe-se que o judeu não marca jejum no Shabbat para toda a comunidade
nacional judaica; os islâmicos ensinam que os dias de jejum deles é, domingo, segunda,
terça, quarta... na quinta já não o fazem, tampouco na sexta. No hinduísmo há a
prática do jejum dominical, mas em alusão ao culto pagão do deus sol. Também seria prática comunitária nessas
religiões pagãs que não deixam de aviltar o significado da morte e da ressurreição
da eterna salvação dos cristãos por Cristo Jesus.
Até a semana passada o Deputado
Marcos Feliciano fez uma convocação para jejum nacional dos crentes, como ele, no
“domingo de ramos” de nosso calendário cristão. No que eu ignorei solenemente.
Havia ao mesmo tempo uma convocação para o mesmo dia pela IPB, não ignorei mas não
acatei.
Notório no caso da chamada do
Deputado para “todos” participarem “independente de sua religião”.
Estranho também no caso essa convocação que não tem como deixá-la identificar como,
no mínimo, “maçônica”. Como pode um cristão desprezar o seu dia de festa de ressurreição
do seu salvador? Justifica por que os islâmicos não podem desprezar a sexta,
nem numa ocasião de calamidade? Os judeus fariam isso em quaisquer circunstâncias?
Ou o motivo é que já que os pagãos e a nova era, a seita mórmon, já têm essa prática
de jejum dominical de rotina, porque não engrossar o evento “cristão” que no
caso do Deputado Feliciano parece não se disfarçarem as motivações políticas as
mais profanas? Já que os adventistas do sétimo dia, os judeus messiânicos já honraram
o Senhor Ressuscitado no sábado, dia anterior, eles não têm problema nenhum com
o jejum no domingo?
“Meu povo foi destruído por falta
de conhecimento. ‘Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os
rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu
também ignorarei seus filhos’”. - Oséias 4:6
O texto acima nos leva a
questionar o que nós, como indivíduos, fazemos com relação ao conhecimento bíblico
e teológico que temos? O que estamos ensinados a fazer por nossos professores,
pastores e líderes? Estamos sendo ensinados a defender com unhas e dentes a
doutrina reformada, ao mesmo tempo que em nossas práticas somos cegos e ignorantes
como os outros todos aderentes de outras doutrinas.
Jesus "se retirou" para
o deserto para um tempo de preparação. Para gastar tempo orando e se conectando
com Seu Pai. Ele se retirou para eliminar as distrações e as vozes e conexões
com as pessoas. Jejum é isso! Outra coisa, o que Jesus espera de nós todos os
anos, é banquete! Jejum e banquete faziam parte da “arquitetura
do tempo”, da qual Jesus participou como judeu observador.
Nossa prática de determinado ritmo
de devoção, a cada ano, inclui celebração de pascoa no dia que cremos que Jesus
ressuscitou, e não no que outros creem. Isso pode ter um impacto cumulativo.
Cada vez que nos apegamos a Cristo, em datas relevantes, dentre essas as do
calendário cristão, ajuda-nos a crescermos em maturidade e graça que afeta o restante
do tempo.
Muitos cristãos optam por manter
ou modificar suas disciplinas espirituais, por isso a qualquer tempo eles podem
evocar, em seu sentido espiritual, o natal, a quaresma, a semana santa, o pentecoste,
ao mesmo tempo em que se aplicam em rotinas espirituais úteis. Todos os
cristãos são bem-vindos a exercerem a disciplina aprendida por essas datas litúrgicas
a qualquer momento. Em algum tempo Deus assinala o dever de festejar, além do de
jejuar! Questão de disciplina espiritual, também!
Mas independentemente disso, todo
domingo é reconhecido como uma “pequena Páscoa”. Muitos cristãos celebram toda
sexta-feira como uma “pequena quaresma”, jejuando em memória da paixão e
da morte de Jesus. Outras igrejas convidam seus membros a jejuarem em janeiro
como uma maneira de dedicar o próximo ano a Deus.
A questão é: como um cristão que
vive pela fé, justificado pela fé, salvo eternamente pela fé, em Cristo morto e
ressuscitado, pode pensar em mortificação no dia da festa anual da consumação da
nossa fé? Para mim é impossível!
Nesse particular, concordo inteiramente
com o Pastor Bobbie Hunt, da Igreja Presbiteriana de Irwin da Pensilvânia –
EUA, pertencente à ECO (Ordem da Aliança dos Presbiterianos Evangélicos), “o calendário
da Igreja oferece um ritmo sustentável do qual a quaresma faz parte, e o jejum
da quaresma dá lugar ao banquete da Páscoa. O jejum e o banquete são disciplinas
interconectadas que nos ensinam a amar o rei e Seu reino vindouro. Na quaresma,
aprendemos a confessar nossos pecados, praticar a abnegação, processar o autoexame
e crescer em servidão e humildade semelhante a Cristo. Na Páscoa, aprendemos a
nos regozijar, exultar e festejar na vitória de Cristo”.
“Mais importante do que as
práticas que adotamos é a atitude do coração por trás delas. Se há algo que
devemos desistir nesta época do ano, é nosso senso de superioridade para quem
está fora da igreja, ou dentro da igreja, que faz as coisas de maneira
diferente da nossa. Meu amigo, a cruz de Cristo nivela a todos nós”, adverte o Rev
Hunt. A vitória na Cruz empana qualquer preocupação com qualquer calamidade.
Então, não me compreenda mal, não
é porque quero ser diferente. Para nós os cristãos não importam com o quão somos
diferentes entre nossas confissões. Não queremos é ser iguais ou inferiores a
judeus, muçulmanos, hinduístas, livres pensadores, sabatistas. Nada mais há que
nos faça faz iguais ou inferiores, na condição de pecadores, somos diferentes
deles.
“Independentemente de sua
religião”, Deputado Feliciano e outros, compreendam que cristãos reformados não
podem jejuar no domingo! Nem acatando convocação de denominação. Não
conseguem... Conseguem?
Cristo já ressuscitou, Aleluia!Sobre a morte triunfou. Aleluia! Tudo consumado está; Aleluia! Salvação de graça dá. Aleluia!
Gratos hinos entoai; Aleluia!Ao Senhor Jesus honrai, Aleluia! Pois à morte quis baixar, Aleluia! Pecadores pra salvar. Aleluia!
Uma vez na cruz sofreu; Aleluia! Uma vez por nós morreu, Aleluia! Mas agora vivo está, Aleluia! E pra sempre reinará. Aleluia!



Comentários