MILICIANOS DIGITAIS – A SÉRIE. CAPÍTULO II – FERMENTO RELIGIOSO: O DIABO NA “CASA DO TERÇO”.
“Há dois erros semelhantes, mas opostos
que os seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em
sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo
e pouco saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmente satisfeitos
com ambos os erros, e saúdam o materialista e o mago com a mesma alegria. Os
documentos contidos neste livro podem ser obtidos facilmente por qualquer
pessoa capaz de aprender o truque; mas não o ensinarei às pessoas de má índole
ou muito voláteis, as quais podem fazer mau uso da prática.” - C.S. Lewis, em Cartas
de um diabo a seu aprendiz.[1]
Nas religiões judaicas, cristãs e islâmicas,
intrinsecamente originadas das razões[2]
ideológicas tradicionalistas, expostas aqui, familiares, a metáfora
da guerra é recorrente. O cristianismo, por exemplo, apesar de ser
predominantemente pacífico, nem sempre pacifista, importa do judaísmo
antigo a ideia das guerras do antigo testamento, em que “Yahweh
Saabbaoth”[3],
Senhor dos Exércitos, era buscado. Seguia adiante, conduzia. Postava ao lado.
Pegava em armas. Ficava do lado. Protegia a retaguarda do seu povo nas guerras.
O povo lutava guerras de “Yahweh”. Deus lutava pelo povo, com o povo e para o
povo! No Novo Testamento a guerra continua presente. Agora a guerra
espiritual. Por enquanto. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais,
mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os
conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e
levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo”.[4]

Mas será que esse diabo das milícias digitais existe mesmo? Seria você um miliciano? E eu? Viramos todos milicianos digitais?
Soa até desarrazoado nessas alturas insistir
que não existem as milícias digitais, ativas. Que é fantasia. Há milícias digitais,
como há marketing em rede digital. Estes jogam o papel de explorar essas
tendências, gostos, ideias, ideologias, ignorâncias ou conhecimentos, se
grandes ou parcos, e todas as idiossincrasias que são intrínsecas a tal complexo.
Não pode ser arrefecida a guerra (comercial). O militante digital não descansa. Sacode dia
e noite os “meus grupos” de WhatsApp.
Para que tanto grupo de WhatsApp, miliciano?
Para que plantão de 24 horas nas demais redes sociais: facebook, twitter...? Precisa
manter todos acordados contra os inimigos de Deus, da família, da sociedade.
Não há pior inimigo do que o inimigo político. E não há adversário politico, há inimigo politico, que é inimigo da fé e inimigo da família! Aquele que se investe contra a figura do
pai, do pastor, do ancião (presbítero).... Se tem um pather phamilae
falido ‘em casa”, eleja para a “nação”, a
soma de todas famílias, tribos, clãs, milícias, igrejas, seitas, movimentos... um
mais falido ainda, regenerado, agora, depois de passado pelas águas do Jordão!
Eis nosso chefe supremo! O líder dos patriotas! Ah, se todos agora pudessem se
redimir ao passarem pelas aguas do Jordão!
O governo (governante) como pai da nação! Que seja mínimo o Estado, mas grande o suficiente para “blindar a família”.
Assimilam-se as estratégias de guerra
carnal e espiritual estudadas pelos governos. Aperfeiçoadas a
partir da segunda guerra mundial. Tendo como ambientes a “guerra fria”, e o
“pós-guerra fria”. Remontam à queda do
muro de Berlim e ao fim da União Soviética, e à tentativa de reorganização do
mundo depois disso. Sempre assim: pós-guerra, pós-destruição, a tentativa de reorganização.
Quem pode pouco, pode extrair pouco proveito; quem pode mais, mais proveito.
Quem pode o máximo, tira o máximo proveito![5]
Como não poderia ser diferente, tal
estratégia foi também copiada ainda de que pelo mercado, empresas, marcas, mas, claro, não foi
ignorada, o que seria estranho se o
fosse, pelos líderes de movimentos da sociedade, inclusive religiosos, por certas
formas de “evangelismo explosivo”; e pelo movimento G12.
A guerra carnal ainda não há, mas se vier será necessariamente antecedida pela guerra espiritual.
A guerra carnal ainda não há, mas se vier será necessariamente antecedida pela guerra espiritual.
O inferno são os outros[6].
“O
problema não é meu
O
paraíso é para todos
O
problema não sou eu
O
inferno são os outros, o inferno são os outros”. – Titãs.
As milícias digitais de esquerda, Partido
dos Trabalhadores - PT[7]
receberam reconhecimento oficial em 2011. Com o objetivo de dar resposta às
críticas ao que se avolumavam nas redes sociais. O PT anunciou a criação de uma
“patrulha virtual”, chamada de militantes para ambientes virtuais (MAV’s).
Visavam continuar atuando nas redes, conforme matéria da Folha de S.Paulo[8]
da época. Segundo o diário, “a criação”, ou melhor, a organização do que estava
funcionando de maneira caótica, “dos MAV’s foi decidida no 4º congresso do
partido, em setembro de 2011. O encontro foi marcado por ataques à imprensa
e pela defesa da “regulamentação dos meios de comunicação”. Mas a atuação
dos “militantes digitais” vinha de pelo menos antes, campanha de Aloizio
Mercadante ao governo paulista em 2010.
Desde muito antes, a desqualificação da
“grande mídia” era promovida, principalmente, pela extrema-esquerda, engajada
na luta contra todo um sistema moralmente corrupto, calcado em valores capitalistas
burgueses. Surgiu nesse meio a crítica ao politicamente correto das classes
burguesas, alertando a sociedade que esse mal tinha contaminado o mainstream.
Era uma parte integrante, minoritária, do PT, embora desprestigiada. Mas, em
decorrência da absorção dessas correntes intestinas, mais reacionárias, a
partir dos escândalos do mensalão, vampiros, sanguessugas, e da reação dos
então simpatizantes de ideologia política de centro, liberais, de abandonarem o
PT: o partido se viu abraçado por essas correntes e por outros partidos de
esquerda mais extremada.
Surge em meio às pugnas, a expressão “petralha”[9]
criada pelo jornalista Reinaldo Azevedo[10],
então amado por toda a direita, liberal e conservadora, incorporada pela grande
mídia e pela “direita”. Ao mesmo, surge, embora não apenas em
decorrência disso, a ideia do partido da imprensa golpista (abreviado, PIG ou
PiG). A expressão foi criada pelo recém falecido jornalista Paulo Henrique
Amorim, ex-global, acolhido na Rede Record da Igreja Universal do Reino
de Deus – IURD, e passa a ser usada por apoiadores do PT, dentre outros
partidos, para descrever um conjunto de veículos midiáticos que teriam em comum
valores conservadores e fariam oposição ao PT e à esquerda política. O termo foi
criticado por aqueles a quem classificariam, bem como por antagonistas
políticos, que utilizam o termo "imprensa chapa-branca" para
referirem-se às publicações com viés "governista" — em alusão a um
suposto apoio ao então governo petista.

O establishment são os outros!
A posição óbvia do PT, de distanciamento do
mainstream, midiático e político, foi a demonstração clara de alinhamento
ao extremismo de esquerda, sabendo que já havia na sociedade o extremismo de
direita, ou seja, a oposição sistemática ao PT. O recado dado à sociedade era de
que a política e os políticos sobreviveriam apenas se acudissem a um ou a outro
extremo. Razão por que o PT, ainda alinhado, ou aliado, a posições extremas,
recebeu o apoio de socialistas e empresários de centros, e os políticos de
posição “progressista”, como o Senador Roberto Requião (MDB/PR).
Quem pode pouco, pode extrair pouco proveito; quem pode mais, mais proveito. Quem pode o máximo, tira o máximo proveito!
Mas antes de tirar o proveito, vamos tratar da sobrevivência!
O “establishment corrupto” são os infernos! Para o PT e para o bolsonarismo!
[1] C.S.
Lewis, em Cartas de um diabo a seu aprendiz – Prefácio Editora Martins Fontes -
São Paulo – 2009.
[2]
Para uns, sentimentos.
[3] I
Samuel 1:3 - Todos os anos esse homem subia de sua cidade a Siló para adorar e
sacrificar ao Senhor dos Exércitos. Lá, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli,
eram sacerdotes do Senhor.
[4]
2 Coríntios 10:4-5 Almeida Revista e Corrigida 2009 (ARC) – texto áureo para o
início de uma palestra acerca do “marxismo cultural”, mas vale para il
qualsiasi combattimento, começado no campo das ideias, mas logo vai para
o campo pessoal, e vira disputa entre clãs. “Por que eu defendo o Bolsonaro?
Porque você defende o Aécio!” - Não, são as ideias o que se defendem, idiota!”
[5]
Por isso, malandragem fica na espreita por 30 anos, ou mais, esperando pelo
caos, como oportunidade. Ele sabe que o poder máximo serve ao máximo proveito
para quem pode estabelecer: para ele e para o seu clã. E a humanidade fica
feliz da vida com a restauração dos valores tradicionais de lambuja. De lambuja
ainda há toda a oportunidade que culpar um tal de “establishment”. Sim, por
causa dele a mocinha virou “moção”, o moço uma moçoila... suprema
vergonha!
[6]
A assertiva é dita por uma das personagens da peça de teatro Huis clos
(Entre quatro paredes, na tradução brasileira), do francês Jean-Paul Sartre,
escrita em 1945. Nela, duas mulheres e um homem encontram-se no inferno,
condenados a permanecer para sempre juntos, “entre quatro paredes”. Em uma
entrevista, o dramaturgo e filósofo contou que a inspiração para a criação do
texto surgiu de uma situação real: ele resolveu escrever uma peça para três
amigos seus, atores, mas não queria que nenhum personagem tivesse mais destaque
do que o outro. Então pensou: “Como mantê-los sempre juntos em cena?”,
indagação que trouxe a ideia de colocá-los presos no inferno, de modo que cada
uma das figuras cênicas agisse como carrasco das outras duas. Ao trazer a
célebre expressão, a peça sartriana pondera que o outro, na verdade, é
fundamental para o conhecimento de si mesmo. Isto é, o ser humano necessita
relacionar-se com o outro para construir a sua identidade, processo nem sempre tranquilo
e harmonioso.
[9]
Outro termo usado pelos críticos de direita, e reutilizado pela “nova
direita” é “esquerdopata”. Veja: http://contrapontocerrado.blogspot.com/2020/05/direitopatas-e-esquerdopatas.html
[10]
Ideologia política pode receber diagnóstico psiquiátrico? “Está
circulando nas redes sociais a opinião de uma (um) médica (o) psiquiatra que afirma
ser o 'esquerdismo' um tipo de transtorno mental, embasando suas crenças num
pretenso conhecimento científico. A(o) psiquiatra citada (o) é a/o
norte-americana (o) Lyle H. Rossiter, e a fonte da opinião está no seu livro de
2011, The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madnes
(algo como, “A mente liberal, as causas psicológicas da loucura política”).
Mesmo sendo um liberal convicto, discordo enfaticamente desse tipo de
classificação. Que ninguém esqueça da antiga União Soviética em que dissidentes
políticos eram internados como doentes mentais por se oporem ao regime político
de esquerda! Diagnostico psiquiátrico é para ser utilizado única e
exclusivamente como início de um caminho para tratamentos que tem por objetivo
minorar o sofrimento humano. Por mais que eu não concorde com a ideologia da
assim chamada esquerda, não será carimbando seus seguidores como doentes que
chegaremos a mudanças e saídas para problemas sociais. Muito, mas muito mesmo,
ao contrário. Afinal, um dos pilares da democracia é a convicção da importância
da liberdade de pensamento, especialmente de quem pensa de modo diferente ao
nosso. O que não impede que as pessoas de qualquer ideologia que apregoem
violência, ou que se apropriem da Coisa Pública, sejam tratados com todo o
rigor que a lei permite.” - Dr Cyro
Masci - CRM 39126 - RQE 9738. Portanto, não há causa para chamar alguém de
“esquerdopata” ou “direitopata”. A esses insultos quando a vítima aponta o seu
ofensor cabe apuração, no mínimo, de falta disciplinar, nesse e em inúmeros
outros casos. Links: 1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_imprensa_golpista; 2) https://www.masci.com.br/post/2017/06/08/ideologia-pol%C3%ADtica-pode-receber-diagn%C3%B3stico-psiqui%C3%A1trico

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